Disney destruiu a Marvel Studios

Cena do filme Vingadores: Ultimato com iluminação esverdeada. Close no rosto de Tony Stark, interpretado por Robert Downey Jr., com expressão abatida e exausta, olhando para baixo. Na parte inferior, a marca d'água do site www.farofeiros.com.br

A Disney destruiu a Marvel Studios para ganhar mais dinheiro.

Aparentemente nada dá mais lucro para acionistas do que despedir trabalhadores. A notícia do momento mostra que a The Walt Disney Company despediu mais de 1000 trabalhadores e alguns setores foram dizimados. ESPN, Hulu e Marvel foram muito afetados.

Como parte da tentativa de reestruturação do novo CEO, Josh D’Amaro, afirmou em uma comunicação interna que “dado o ritmo acelerado de nossos setores, isso exige que avaliemos constantemente como promover uma força de trabalho mais ágil e tecnologicamente capacitada para atender às necessidades do futuro”.

A área artística da Marvel Studios foi, aparentemente, o setor mais afetado pela medida que sugere a utilização de LLM, ou IA, como o motivo das demissões no setor.

A destruição da Marvel Studios

A notícia mais alarmante mostra que quase toda a equipe de desenvolvimento visual da Marvel Studios foi dispensada. Este departamento é responsável pela criação do visual dos personagens e mundos que definiram o Universo Cinematográfico Marvel na última década. Chamar o departamento de fundamental não expõe toda sua importância.

Abaixo você confere a publicação de Wesley Burt, artista conceitual que foi demitido em uma sala de conferencia decorada com a arte que ele mesmo criou.

Existe um receio crescente de que a Disney esteja planejando substituir artistas e designers humanos por ferramentas de IA generativa para reduzir custos. Tal teoria ganhou forças desde o lançamento da série Invasão Secreta que utilizou LLM para criar a arte da abertura.

Lembramos ainda que recentemente a Disney anunciou o investimento de U$D 1 bilhão no Sora, a IA da OpenAI. Antes mesmo do lançamento da LLM o serviço foi descontinuado e o acordo desfeito.

Além disso essa bagunça toda isso ocorre durante a produção de Vingadores: Doomsday, o filme que pretende revigorar a máquina de fazer dinheiro nos cinemas com filmes de bonecos.

Segundo Warren Gunnels a Disney recebeu um “reembolso” de impostos de quase U$D 1.5 bilhões e confirmou um lucro de U$D 12 bilhões, além de pagar mais de 45 milhões para o CEO. Assim fica claro que as demissões não foram motivadas por crise ou por problemas financeiros.

Cena do filme Vingadores: Ultimato com iluminação esverdeada. Tony Stark, de regata escura, está sentado no interior de uma nave espacial, curvado em posição de desânimo. Ao fundo, uma janela revela o espaço sideral. À esquerda, o capacete de Homem de Ferro repousa no chão. Na parte inferior, a marca d'água do site www.farofeiros.com.br

O terremoto na Marvel Comics e Entertainment

A divisão de quadrinhos não foi poupada. Segundo o Bleeding Cool, três editores de longa data e o diretor de comunicação mundial foram despedidos.

Alguns ainda apontam como a demissão de David Gabriel, Vice-Presidente Senior de Vendas e Marketing da Marvel Comics, como uma das maiores “rasteiras” dessa leva de demissões. Com 23 anos de casa, Gabriel era dono de toda a estratégia comercial da editora. Sua saída sinalizaria uma mudança profunda na liderança e na forma como as HQs da Marvel chegam ao cliente nos EUA.

Em conversas internas obtidas pelo Bleeding Cool o clima entre os funcionários que permanecem é de incerteza absoluta. Sem um motivo aparente para tal reestruturação qualquer um poderá ser o próximo demitido. Ainda teria sido dito que esses são “os males de fazer parte de um enorme conglomerado de entretenimento que só se preocupa com o valor das ações”.

Timothy Cheng, diretor executivo de comunicações da Marvel Studios, Lauren Bisom, editora senior da Marvel Entertainment, Devin Lewis e Darren Shan, editores da Marvel Entertainment também foram demitidos. Todos estavam envolvidos em projetos multimídia recentes.

Cena do filme Vingadores: Ultimato com iluminação esverdeada. Em close, as mãos de Tony Stark seguram o capacete da armadura do Homem de Ferro, com os visores iluminados em azul. A peça exibe detalhes metálicos intrincados e danificados. Na parte inferior, a marca d'água do site www.farofeiros.com.br

O Que Esperar do Futuro?

Podemos especular muitas coisas com as informações que temos em mãos. É óbvio que em breve veremos as diferenças principalmente no MCU, que antes primava pela qualidade visual, terceirizando ou utilizando IA fajuta para fazer um trabalho artístico acurado.

Nos quadrinhos a bagunça pode ser pior ainda pois – por mais que eu não concorde com as políticas da empresa – eram essas políticas que mantinham o negócio. Sem as pessoas certas para fazê-las valer é possível que tudo que está ruim piore ainda mais.

Não é de hoje que quadrinhos é visto como um subproduto e, do jeito que as coisas andam até para a DC, prever o pior para trabalhadores e fãs não é algo tão absurdo quanto ver Doutor Destino com a cara de Tony Stark.

No final o maior vilão da Marvel é a própria Disney.

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