A Sony não quer que você possua nada

Montagem de GTA 6 com os personagens com seus rostos substituídos pelo logo do PlayStation e do XBOX apontando uma arma contra uma pessoa jogando videogame. Na faixa inferior o endereço farofeiros.com.br.

A Sony não quer que você possua nada, nem jogo digital, nem físico.

Em 1º de Julho de 2026 a Sony anunciou no PlayStation Blog que a partir de Janeiro de 2028 nenhum jogo novo para PlayStation terá mídia física. A distribuição passa a ser exclusivamente versão digital e exclusivamente na PlayStation Store. A justificativa seria o fim da mídia física no mercado, chamando de “direção natural” do mercado.

A Sony alegou inclusive que a preferência por mídia digital supera significativamente a demanda por discos. Isso não é mentira, só que também não é a história toda como foi comentado no WASD podcast.

Em 2025 dados apontam que 78% das vendas de jogos da Sony foram digitais, isso inclui vendas para PS4 e PS5. Apenas 15% de suas vendas foram feitas através de mídias físicas. E, como apontado pelo Insider Gaming, isso mostra um crescimento da venda digital de cerca de 2% se comparado com os números de 2024.

Não é pelo interesse do consumidor que a Sony incentiva e está trabalhando para vender mais mídias digitais. Isso ocorre pois a empresa não tem o custo de produção, estocagem e logística de um jogo físico. Sem esse custo o lucro da Sony aumenta.

A trama lembra romance brega, onde o vilão quer dominar o mundo por se considerar lindo.

E, é preciso mencionar que isso equivale para todos os consoles do mercado: nenhuma loja digital vende um jogo mais barato por não ter cópia física. Também é preciso lembrar que todos os jogos digitais que compramos, não importa a plataforma, não são comprados. O que compramos são licenças e que podem ser revogadas a qualquer momento.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) não ficou parada e em 3 de Julho de 2026 protocolou uma representação na Secretaria Nacional do Consumidor. A medida pede a abertura de um procedimento administrativo para investigar os impactos para o consumidor do encerramento da produção de jogos em mídia física.

? SEM JOGUINHO COM OS CONSUMIDORES!Estou encaminhando à Secretaria Nacional do Consumidor as denúncias que recebi sobre o anúncio do fim dos jogos em mídia física pros consoles PlayStation.Há problemas evidentes nisso: os consoles que seguem sendo vendidos contam com leitor de mídia física. +??

ERIKA HILTON (@erikahilton.bsky.social) 2026-07-03T17:58:28.374Z

A maioria dos consoles hoje ainda têm leitor de mídia física e continuam sendo vendidos. Inclusive as versões com leitor são mais caros, o que implicaria um compromisso de que ele terá utilidade no futuro. Vender o hardware com uma funcionalidade e depois matar essa funcionalidade é uma questão séria de defesa do consumidor.

Hilton também alertou para a prática de venda casada: o console comprado pelo consumidor só terá utilidade mediante a contratação de uma assinatura, com múltiplos níveis e preços diferentes. Mais detalhes foram dados a entrevista ao tvPH, o vídeo você confere abaixo.

Como foi comentado em texto anterior, a Sony chegou a tirar sarro da Microsoft pelo seu sistema digital – chamado por alguns de anti-consumidor.

Não por acaso a confirmação de que o GTA 6 não vai terá disco – apenas uma caixinha com o código dentro – veio em um momento “oportuno” para marca. Afinal o jogo é um dos mais esperados e mesmo custando R$ 400 (em alguns lugares custa R$ 418,40 #afiliados), em outros muita gente irá comprar um videogame para jogar o jogo caro.

Como reflexão final acredito apenas que tudo o que foi dito aqui sobre a Sony serve para qualquer outra empresa, seja a Microsoft, seja a Nintendo. Dependendo do caso lojas de jogos para PC como Steam e Epic também entram na história. Não é preciso acabar com a lucratividade dessas empresas para fazer valer leis e o direito do consumidor… Sem contar a bagunça que a XBOX está fazendo com o mercado e seus (ex-) funcionários, como abordamos no último episódio do WASD podcast.

O controle total da distribuição, a destruição do mercado de usados, o fim do empréstimo de jogos, licenças que podem ser revogadas a qualquer momento sem reembolso – e sem desculpa. Se comprar não é mais possuir, piratear pode ser considerado roubar? Bom, a Sony já abraçou a IA né, então não tem problema, certo?

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