$ farofeiros --status cerveja quente, farofa gelada ·
  • /tecnologia
  • /apoie

    TVs da LG espionam usuários até desligadas

    Rodrigo Castro
    editor · farofeiros

    Você sabia que sua televisão vigia o que você assiste e fala em troca de dinheiro?

    O Gamers Nexus, que é frequentemente mencionado no WASD podcast, em uma análise profunda conseguiu obter transcrições inteiras de conversas realizadas na frente de uma TV da marca LG. O aparelho suspostamente teria gravado a conversa e transmitido para a captação de dados de utilização para uso em publicidade. Há quem diga que a capitação desses dados é opcional mas tal informação não é bem difundida ou detalhada por nenhum fabricante de smart TVs ou de aparelhos de streaming.

    Alguns afirmam que as fabricantes de TV sistematicamente – e sem aviso – mudaram seu modelo de negócio. Em teoria não é mais a venda efetiva do aparelho que movimenta o mercado, mas sim a venda de dados dos usuários dos dispositivos para publicidade. Utilizando tecnologias de reconhecimento de conteúdo automático nas atividades do microfone e da rede até em modo de espera, o que você assiste, como assiste, quando e o que fala perto do dispositivo pode ser utilizado para te mostrar propagandas.

    Recomendamos assistir o vídeo original do Gamers Nexus com a organização Levelonetechs, em inglês (com legendas em português disponíveis), que você confere abaixo. Após o vídeo apresentamos mais informações e contexto sobre a situação.

    O que está realmente acontecendo na sua TV?

    A análise neste caso focou nos aparelhos da marca LG mas, reafirmo, que as questões levantadas não se restringe à marca. Como dito inicialmente trata-se de uma questão sistêmica e todo aparelho, seja TV box, seja aparelho de streaming, seja uma smart TV, podem estar espionando nossas vidas muito mais do que se imagina.

    O problema começa com a atividade contínua em modo de espera, mesmo desconectado da internet; alguns modelos chegam a escanear a sua rede local para identificar outros dispositivos conectados além de obter detalhes da rede em si. Mesmo desconectado os aparelhos armazenaram localmente áudio capitado para transmiti-lo quando a conexão é restaurada. Mas isso é apenas o começo.

    A tecnologia de reconhecimento automático de conteúdo, ou ACT, dos dispositivos LG, identificam o que o usuário está assistindo seja por aplicativos próprios ou por dispositivos conectados via HDMI como consoles de videogame e aparelhos de streaming. Os dados obtidos por meios de amostragem de áudio ou vídeo é enviado à LG Ad Solutions (em seu site oficial a empresa se vende como o futuro da propaganda) e utilizada para publicidade direcionada, os dados também são comercializadas em outras plataformas. A pesquisa teria identificado dados disponíveis no serviço Databricks Marketplace.

    Apesar da LG afirmar que o reconhecimento de voz é um recurso opcional e desativado por padrão, a empresa também afirma que a TV não grava ou transmite conversas continuamente. Porém as análises confirmam o armazenamento local e envio após reconexão à internet. Também foi identificado se tratar de uma vulnerabilidade de permissão o acesso ao microfone, não é claro para o usuário é que é captado e armazenado.

    Vigilância em massa e fadiga de consentimento

    Montagem digital da arte de olho humano retirado de arte da capa do licro 1984 de George Orwell com filtros sombrios e alta exposição

    Em 2025 foi instaurado um processo nos EUA contra a Samsung, LG, Sony, Hisense e TCL onde o procurador geral do Texas revela que a tecnologia ACR seria capaz de capturar imagens da tela duas vezes por segundo para análise de perfil de usuário. Em 2026 a Samsung fechou um acordo se comprometendo a não ativar o ACR por padrão sem o consentimento explícito do usuário… O que pode assustar brasileiros no geral, afinal, estamos acostumados com direito do consumidor e se isso for detectado no mercado nacional a conversa pode ser um pouco diferente, tendendo a ser mais amistoso com o usuário.

    Apesar desses casos é importante lembrar que todo o setor de tecnologia se beneficia do que é chamado de “fadiga de consentimento”. A interface é propositalmente enganosa ou de difícil navegação afim de dificultar escolhas de privacidade: para aceitar os termos legais do ACR basta um clique na tela inicial em “Aceitar Tudo”. Sem mencionar que algumas marcas chegam a impedir a utilização do dispositivo caso literalmente tudo não seja aceito.

    Sempre lembrando que essa vigilância que visa “apenas” a publicidade sempre poderá ser utilizada por terceiros de maneira escusa. Sem mencionar que em casos de vulnerabilidade extrema onde agentes externos podem acessar a rede e o IP do usuário para encaminhar tráfego de terceiros no que é conhecido como nó de saída de rede – literalmente utilizando sua identidade digital sem seu consentimento.

    O que fazer agora?

    Montagem digital da arte de olho humano retirado de arte da capa do licro 1984 de George Orwell com filtro de chamas e alta exposição

    É preciso começar pelo básico: verificar e desativar o ACR e/ou o compartilhamento de dados de visualização do dispositivo. Lembre-se que além de Smart TVs as chamadas TV Box e até dispositivos de streaming como Roku e FireTV podem utilizar essa tecnologia. Como cada sistema dá um nome é preciso ter paciência, busque por opções como “Reconhecimento Automático de Conteúdo”, “Informações de visualização” ou “Personalização de anúncios” e as desative sem medo. As funções relacionadas ao modo de repouso/descanso (ou standby) como “Inicialização Rápida” e “Always Ready” também devem ser desativadas preventivamente por permitir q componentes como microfone e wi-fi fiquem funcionais mesmo com o aparelho “desligado”.

    No caso das TVs é recomendado desconectar o aparelho da interne e utilizá-lo apenas como monitor se possível. Porém é importante lembrar que a utilização de aplicativos e outras funções “inteligentes” estarão comprometidas.

    Inicialmente é preciso aguardar mais informações técnicas, como mencionamos acima a legislação brasileira costuma ser muito mais a favor do usuário do que a dos EUA e, com mais dados relevantes dos produtos nacionais em mãos, é esperado que órgãos de defesa do consumidor tomem alguma atitude.

    Com conhecimento um pouco mais técnico é recomendado que a atividade da sua rede local seja monitorada, seja pelo roteador ou por serviços de filtragem de DNS para bloqueio de domínios que poderiam receber seus dados. Além disso, para os mais ousados, no site da Leveontechs há um tutorial de como bloquear o sistema de uma TV da marca LG, mas é recomendado conhecimento técnico neste tipo de solução.

    A situação ao meu ver é tão feia que só resta adicionar uma IA na sua TV para te vigiar (será?). Alguns chamam de “futuro” esse avanço da publicidade, anúncios mais relevantes para você significa menos privacidade e – principalmente – mais lucro para quem processa esses dados. Nesse novo modelo de negócio o lucro das empresas é maximizado graças ao que sua família assiste na TV e fala perto dela.

    O que isso te lembra?

    Ajude a manter o FAROFEIROS independente

    Sem paywall, sem patrão. Só farofa e apoio de quem lê.

    apoiar_

    leia também/

    deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *