Paternidade gamer

Cena do jogo Pragmata da Capcom. Close no rosto de Diana com cabelos loiros longos e olhos azuis, expressão curiosa e esperançosa, vestindo traje tecnológico azul. À esquerda ao fundo, o astronauta com armadura branca futurista acenando. À direita, um globo terrestre azul iluminado. Na parte inferior, a marca d'água do site www.farofeiros.com.br

Farofeiros, farofeiras e farofeires, parece piada, mas não é. Como foi relatado pelo Drops de Jogos, tem gente querendo se tornar pai depois de jogar o mais recente jogo da Capcom chamado Pragmata. No game você tem que sobreviver em uma estação lunar onde robôs estão alucinados, mas para isso você conta com a ajuda de Diana, uma robô que te ajuda a enfrentar as ameaças.

Acho engraçado – de verdade – que um jogo tenha despertado a vontade de ser pai em alguns gamers. O povo jogou o jogo que tem uma garota bonitinha e ficou com vontade de ser pai.

A paternidade gamer me assusta.

A pessoa acaba ignorando as peculiaridade da realidade e simplesmente ignora o principal e mais importante fator com relação à personagem do game: ela não existe. Para evitar um problema, para simplesmente deixar de se preocupar com aquela criança digital basta desligar o jogo.

Acho um absurdo ter que apontar algo óbvio, mas pelo visto é preciso: a vida real não é assim.

Desde que me tornei pai exerço minha função em tempo integral. Quando estou dormindo, quando estou descansando, quando estou me divertindo e até quando estou trabalhando sou pai. Me preocupo com a alimentação, com o que pode estar acontecendo, com a blusa ser suficiente para o frio, com as tranqueiras que compro para ela comer apenas para agradá-la.

Ser pai é extremamente cansativo, mas não troco isso por nada no mundo. Amo ser pai e, se fosse possível, acho que até seria mais pai.

Não creio que a paternidade seja mal representada no game. Mas as pessoas que sentiram a vontade de ser pai jogando Pragmata podem ter uma visão extremamente romantizada e problematizada da paternidade. É comum vermos pais – os homens neste caso – extremamente ausentes e deixando tudo a cargo das mães.

Cena do jogo Pragmata da Capcom. Diana, uma menina de cabelos loiros longos e olhos verdes olha para cima com expressão de admiração, vestindo uma roupa tecnológica azul que mais parece uma japona. Ela está nas costas do astronauta. Na cena se vê o ombro e capacete do astronauta com armadura branca futurista com detalhes em laranja e luzes azuis. Na parte inferior, a marca d'água do site www.farofeiros.com.br

Você nunca vai conseguir imaginar a quantidade de horas mal dormidas, nem vai conseguir mensurar o quanto de games poderia ter gasto se não fossem as despesas com a criança. O gamer no geral (não que seja uma regra) não vai se preocupar em buscar a criança na escola no horário certo, nem vai se preocupar com o lanche da tarde.

A romantização da paternidade pode ser tóxica, mas tudo poderia ser diferente. Poderíamos apenas admirar a relação dos personagens de Pragmata se a educação fosse inclusiva e se a misoginia não fosse um problema cultural na maior parte da sociedade.

Ser um pai presente não é um ato de bravura masculina, é só o mínimo que um homem pode prover para sua filha – que não some quando você desliga o videogame.

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