Governo do Brasil investiga se Google copiou sites de notícia.
Desde 2019, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) investigava se o Google estava usando conteúdo jornalístico de forma anticompetitiva. Na verdade a investigação quer verificar se o Google copiou sites de notícia para formular suas respostas, aquelas geradas no próprio buscador.
Em Abril de 2026, o regulador brasileiro aprovou o aprofundamento das investigações. A recomendação partiu do presidente interino do CADE, Diogo Thomson de Andrade e o caso teria voltado à superintendência-geral para um processo administrativo formal, de acordo com a Reuters.
Segundo a investigação o Google não coletaria as manchetes para exibir no buscador e definir o devido rankeamento de páginas da web. E a coisa ainda piora se levarmos em conta os recursos de IA generativa, que – em teoria – sintetiza informações diretamente na interface de busca. Isso significa que o usuário lê o resumo na própria página do Google sem precisa clicar no site de origem. Ou seja, o tráfego que sustentava os veículos jornalísticos – como este blog – está indo embora sem que ninguém pague um centavo por isso.
Diogo Thomson também destacou a dependência estrutural dos veículos de imprensa – como este blog – em relação ao Google. Sites precisam do buscador para existir, mas o buscador te consome como matéria-prima. Sem compensação financeira, a parceria passa a ser considerada exploração.
O Google afirmou que tudo não passa de um “mal-entendido” sobre como seus produtos funcionam e que vai continuar dialogando com a instituição.
Essa briga não é exclusiva do Brasil. Austrália, Europa e Canadá já enfrentaram batalhas similares com big techs sobre remuneração de conteúdo jornalístico exposto na plataforma. Em alguns casos as quantias de dinheiro que o Google foi condenado à pagar são astronômicas. Agora, porém, a “Visão geral criada por IA” colocou muita lenha nessa fogueira que muita gente queria apagar.
Tanto o Google como a OpenAI já avisaram que não querem pagar direitos autorais para sites – como este blog- que alimentam seus serviços de chatbots. Em alguns casos especialistas avaliam que a busca na internet como estamos acostumados teria acabado por conta dessas ferramentas de “IA”.
A investigação brasileira ainda está no começo e o resultado ainda deverá ser julgado. Pelo menos o regulador brasileiro parou de fingir que o problema não existe.



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