Por que você deveria agir em defesa do Wayback Machine
As redes sociais tem memória curta, já percebeu? Felizmente o Wayback Machine existe há 30 anos para ajudar com esse problema. Aqui mesmo no blog parte da nossa história pôde ser recuperada graças ao serviço. Mas não é todo mundo que pensa assim, hoje tem gente que acredita que memória é um “ativo” inconveniente.
Como noticiado pelo Wired o Internet Archive acaba de levar uma rasteira de quem deveria proteger a memória.
Aparentemenete o serviço Wayback Machine – que já catalogou mais de um trilhão de páginas da internet, incluindo seus memes – está sendo bloqueado por diversos veículos jornalísticos. Sites como o do New York Times, USA Today e o Reddit agora impedem que o robô do serviço de acessar seus conteúdos.
Ironicamente foi justamente o USA Today que usou o Wayback Machine para construir uma reportagem revelando como o ICE, a polícia de imigração dos EUA, manipulou dados sobre suas políticas de detenção durante o regime Donald Trump.
O The Guardian não “bloqueou” o robô, só excluiu seu conteúdo do Internet Archive e dificultou o acesso pelo sistema do Wayback Machine. Que é a mesma coisa que bloquear, mas de um jeito diferente.
A justificativa oficial de alguns desses sites é o medo de que big techs de IA usem o acervo do Internet Archive para treinar seus modelos sem pagar por isso. Com medo da IA – LLM na verdade – resolveram que era melhor punir a memória da internet.
Jornalistas assinaram uma carta de apoio ao Internet Archive, organizada por entidades como a Electronic Frontier Foundation e a Fight for the Future. A carta lembra que com o fechamento de centenas de jornais locais e sem nenhuma política pública de preservação digital, o Internet Archive é hoje o principal guardião do jornalismo histórico em formato digital e gratuito.
Páginas preservadas pelo Internet Archive são citadas como prova em processos judiciais nos EUA inclusive. Sem acesso a versões antigas de sites, tanto o jornalismo investigativo quanto o sistema judicial perdem uma fonte de evidência que não tem substituto óbvio… Confiar nos próprios donos para manter uma cópia original, sem alterações, de uma notícia de 2002 não me parece lógico. E é por isso que devemos agir em defesa do Wayback Machine.
Segundo a matéria da Wired o diretor do Wayback Machine, Mark Graham, estaria em contato com o NYT e outros veículos. Porém, foi direto sobre o que está acontecendo: “Não há dúvida de que o bloqueio crescente da web pública está impactando a capacidade da sociedade de entender o que está acontecendo no mundo“. É preciso lembrar para não se repetir os erros.
Bem, não é de hoje que jornais grandes – brasileiros e gringos – estão mais preocupados com anunciantes e seus patrocinadores do que com a verdade. Sem memória mais uma barreira contra mentiras é facilmente derrubada.





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