Teoria do Professor Jiang Xueqin

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Conheça a teoria do Professor Jiang Xueqin que previu a eleição de Trump, a guerra contra o Irã e a decaída dos EUA.

O texto a seguir fala da teoria do Professor Jiang Xueqin, mais especificamente o que é mostrado em seu vídeo chamado Game Theory #9: The US-Iran War. O professor viralizou recentemente por ter previsto a vitória de Donald Trump para a presidência dos EUA, a guerra contra o Irã e também a decaída do império estadunidense.

Como toda teoria é importante que ela seja vista criticamente, analisada sem sensacionalismo ou alarmismo. E por isso mesmo no Farofeiros Cast #060 falamos sobre essa teoria e comentamos seus aspectos de maneira direta, sem futurologia – por isso mesmo recomendamos que assista ou escute nossa gravação para mais informações e explicações. O texto de apoio ao roteiro do episódio você confere após a gravação do podcast ao vivo no Youtube.

A Teoria do Professor Jiang Xueqin, da Universidade de Beijing

Recentemente uma postagem da Letícia Cesarino, professora, PhD, autora e ativista – diversas outras coisas -falando de um vídeo viral onde um professor previa que os EUA iriam perder essa guerra e colapsar a atual ordem mundial. Letícia tem nossa confiança, logo se ela achou a teoria convincente achamos importante trazer ela ao nosso público de maneira crítica.

Segundo Cesarino o conceito bate com a estrutura apresentada em seu livro, O Mundo do Avesso: “hubris e subornos recebidos pelo Trump: eu-pistemologia; possibilidade de melar midterms e cravar um terceiro mandato full autocrático: reintermediação; crença conspiratória e religiosa de que estamos no fim dos tempos: causalidades ocultas e metapolítica.

Em uma rápida pesquisa podemos conhecer o trabalho do professor da Universidade de Beijing. Trata-se do professor Jiang Xueqin, que já atuou como jornalista, documentarista, desenvolvimento internacional para as Nações Unidas e até em uma reforma educacional.

Seu vídeo viral, de 2024, apontava que Trump venceria as eleições, que ele iniciaria uma guerra contra o Irã e que os EUA perderiam essa guerra. E é sobre essa teoria que iremos falar hoje.

Mas fica o aviso: como toda predição você deve levar com cautela – é fácil fazer alarmismo ou sensacionalismo, mas queremos te apresentar essa teoria que é, no mínimo, interessante. Enquanto algumas informações são extremamente relevantes outras acabam ignorando questões relevantes ao tema.

Quando os EUA e Israel atacam o Irã e assassinam seu líder supremo Ali Khamenei o “conflito” ou “guerra” se torna literalmente um “guerra santa” para muitos mulçumanos xiitas e sunitas . Logo em seguida bombardearam uma escola para meninas matando quase 200 meninas entre 7 e 10 anos. Segundo vazamentos este atentado teria sido elaborado e executado por uma IA. Após esse massacre de crianças a Casa Branca publicou um meme com referências ao mundo pop no lugar de condolências ou até uma desculpa formal.

Não há muito o que discutir sobre essa chacina, porém, estamos falando de EUA e Israel e temos visto o genocídio que ambos tem promovido em Gaza contra Palestinos. Este foi claramente um recado de que os EUA estão empenhados a ganhar essa guerra, custe o que custar.

A maioria xiita no Irã já tenha entrado em uma Jihad, uma Guerra Santa, já deve ter sido invocada pela morte de seu líder durante o Ramadã. Não que isso seja diferente no catolicismo ou nos EUA, não é mesmo? Isto mostraria que o Irã também estaria disposto a lutar essa guerra atrás de vingança.

A Importância do Conselho de Cooperação do Golfo e o Estreito de Ormuz

O professor Jiang lembra da importância do Conselho de Cooperação do Golfo, que é formado por Arábia Saudita, Barém, Catar, Cuaite, Emirados Árabes Unidos e Omã. Com muitas bases militares dos EUA na região estes países não “pagavam” por sua segurança – no centro do Oriente Médio, que é o grande “produtor” de petróleo do mundo.

Os países do Conselho de Cooperação do Golfo se colocam como neutros em conflitos, totalmente fora de qualquer guerra – vide o que acontece na Palestina. Mesmo com a sua suposta neutralidade é importante apontar que estes países abrigam muitas bases militares dos EUA e tem autorização para utilizar seu espaço aéreo para atacar o Irã. Estas bases não servem de defesa para os países que os abrigam, servem como maneira de impor a autoridade estadunidense no Oriente Médio.

O professor Jiang acredita que Barém será o primeiro país à cair – devido a maioria mulçumana xiita que, provavelmente, irá atuar contra os EUA devido ao assassinato do Aiatolá. E que Dubai irá “simplesmente falir” devido a fuga de pessoas do conflito (90% da população de Dubai é estrangeira). Todos os países do Golfo Pérsico, incluindo a Arábia Saudita, devem eventualmente entrar em colapso segundo o professor.

O ponto chave desta guerra é o Estreito de Ormuz, um trecho de apenas 33 km de largura que o professor Jiang aponta como o centro do mundo. Cerca de 20% de todo o petróleo do mundo produzido no Golfo Pérsico, passa por esse estreito e tem como destino para a Ásia, Índia, Paquistão, Coréia do Sul, China, Japão entre outros. Desses países 60% do petróleo utilizado na Índia passa por esse estreito, 40% da China, 75% do Japão.

No momento desta publicação o preço do barril de petróleo disparou e não será apenas isso que será afetado pela guerra. Gestoras de fundos como a BlackRock já limita o saques de ativos para conter a sangria de investimentos.

O Primeiro Ministro do Japão Takiichi teria dito que se o estreito fechar as suas reservas se esgotam totalmente em 8 ou 9 meses levando o país ao colapso. Enquanto os países do Conselho de Cooperação do Golfo mandam óleo pelo estreito eles também recebem comida por ele.

O agro brasileiro inclusive já prevê perdas bilionárias por conta da guerra dos EUA e de Israel, cerca 30% e 40% das exportações de algumas empresas podem ser afetadas. Os países do Conselho de Cooperação do Golfo recebem 80% de sua comida pelo Estreito de Ormuz.

Economias no mundo todo poderão ter problemas profundos devido a guerra promovida pela Casa Branca.

O Golfo Pérsico e suas fragilidades militares

O professor Jiang também chama a região de “pino” do Império Estadunidense, afinal se você quer comprar petróleo de qualquer país do Golfo Pérsico você precisa comprar com a moeda do país de Donald Trump… E é por isso que o dólar norte-americano é valioso. Logo, se há um colapso do Conselho de Cooperação do Golfo a economia e o império estadunidense entra em colapso ao mesmo tempo.

Por isso ambos os lados irão priorizar três tipos de alvos: bases militares, petróleo e água. Os dois últimos alvos são de fácil destruição e são itens prioritários em todos os países da região que tem pouco acesso à água, cerca de 60% de sua água potável vem de usinas de dessalinização. O com isso os EUA pretendem tornar o Irã tão inabitável que fará a população local se rebelar e enfrentar o regime em seu lugar.

O ar em Teerã está entre os mais poluídos do mundo e sua geografia impede a rápida dispersão de fumaça. A ofensiva dos EUA e Israel está sufocando 16,8 milhões de iranianos.

Segundo o professor Jiang tanto o Irã como o Conselho de Cooperação do Golfo tem poder para destruir um ao outro, dependendo somente da vontade de cada um de continuar a guerra até que um deles “pisque primeiro”.

Os EUA utilizarão tropas terrestres? Esta seria a única maneira real de realmente derrotar o Irã – mas o preço a ser pago será extremamente alto: o professor estima a necessidade de até 1 milhão de soldados para derrubar o governo iraniano. A falta de popularidade de Donald Trump pode ser um empecilho para isso.

Armas nucleares são uma grande questão e está ligado diretamente com quem está envolvido no confronto. França, Alemanha e Inglaterra já se posicionaram ao lado de Israel e EUA enquanto esse movimento poderia trazer a Rússia e a China para o lado do Irã, o que poderia culminar na Terceira Guerra Mundial, com potências nucleares dos dois lados.

O questionável poder militar estadunidense e seus recursos

Ainda de acordo com o professor Jiang o exército dos EUA tem muitos problemas por si só. O exército dos EUA foi ampliado durante a Guerra Fria e a doutrina da destruição mutua assegurada reduziu a possibilidade de ataques nucleares entre EUA e União Soviética.

Sempre lembrando que os EUA foi o único país a usar bombas atômicas contra civis no Japão. Dito isto o professor acredita que os EUA não estão equipados ou treinados para travar uma guerra do século XXI, contra drones e fanáticos religiosos.

Isso causaria uma assimetria de poder nesta guerra, onde os lados optam por travar guerras diferentes, utilizando técnicas diferentes, por um ser muito mais poderoso que o outro. Os EUA é um império com recursos (praticamente) ilimitados e seu dinheiro controla o mundo, já o Irã está sob sanções nos últimos 45 anos, é pobre e tecnologicamente limitada segundo o professor Jiang.

O exemplo dado para ilustrar essa situação são chamados drones HESA Shahed do Irã que custam US$ 50.000 no máximo, mas pode chegar a custar US$ 35.000, a capacidade de produção é de aproximadamente 500 por dia. Aparentemente o país possui cerca de 80.000 deles já prontos. Por terem boa autonomia e serem de fácil transporte podem facilmente atacar campos de petróleo, usinas de dessalinização ou outras instalações de serviços básicos sem causar alarde.

Já os EUA se defendem desse tipo de drone com o míssil THAAD (sigla para Terminal High Altitude Area Defense, ou em português: Terminal de defesa da área de alta altitude), onde cada um custa US$ 1.000.000. São transportados de maneira lenta e pouco otimizada devido seu tamanho, se tornando alvos fáceis para os iranianos.

Com isso custo dos EUA para eliminar esses drones de US$ 50.000 é de, no mínimo, US$ 1.000.000 – obviamente se o míssil errar o alvo o valor dobra ou triplica.

E por que os EUA continuam com isso, por que eles não se prepararam devidamente? Segundo a teoria do professor burocracia da doutrina militar dos EUA determina como gasta seus recursos e está acostumada a atuar como na Guerra Fria, que era mais sobre ostentação do que pela utilização do seu poder. Suas armas não são feitas de maneira eficiente, elas são feitas para te impressionar, para te deixar com medo e te obrigar a fazer o que eles dizem. E essa seria toda a estrutura do exército dos EUA.

O professor Jiang também chama o exército dos EUA de corrupto. Segundo ele os estadunidenses não se preocupam realmente em vencer uma guerra, o que importa seria gastar o máximo de dinheiro possível – e ainda tirar uma fatia para si mesmo no final.

A tática certa para o inimigo errado

Hoje os EUA está usando uma tática de “estrangulamento” atacando primariamente a capital do Irã, Teerã. A ideia seria “decapitar” o inimigo – “cortando a cabeça o corpo cairia”. O problema porém é que os iranianos enxergam essa guerra como santa, como uma vingança, e com o comando descentralizado cada região tem suas próprias ordens e sua própria estratégia. Assim não há cabeça para ser cortada, mesmo dizimando Teerã nada irá mudar. O apoio a mudança de regime é – em teoria – maior na capital e extremamente baixa em áreas rurais. Neste momento os EUA estão bombardeando quem iria apoiá-los, pelo menos em teoria.

O Conselho de Cooperação do Golfo está no centro do conflito e poderá afetar diretamente a economia dos EUA. Vendendo óleo em troca de dólares dos EUA o CCG coloca dinheiro no mercado de ações e, hoje, o principal mercado especulativo é o de IA. Sem esse dinheiro empresas como Nvidia, Google, Meta, Microslop entre tantas outras perdem valor e, como falado no Farofeiros Cast, a OpenAI (do ChatGPT) entrou no orçamento de guerra dos EUA.

Os Emirados Árabes, a Arábia Saudita e o Cuaite tem muitos investimentos nessas empresas e sem esse dinheiro a bolsa de valores nos EUA entra em colapso e, com ela, toda a economia norte-americana.

Até o momento a guerra dos EUA contra o Irã custou US$ 6 bilhões.

Mais uma vez, para mais comentários e ex´plicações recomendamos o episódio A teoria do Professor Jiang – Farofeiros Cast #060.

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