Ruth E. Carter teria usado IA para criação dos figurinos de Pecadores segundo informações de “engenheira de prompts”.
Oscar batendo à porta e as notícias sobre os competidores não param de chegar, agora atingindo o recordista de indicações, Pecadores. Uma postagem de 2024 de uma “engenheira de prompts” chamada Nettrice Gaskins veio à tona esta semana, descrevendo reuniões que Ruth E. Carter teve com ela para criar o design de figurinos de Pecadores usando o MidJourney, ferramenta de geração de imagens por inteligência artificial.
Carter, conhecida por vencer dois Oscars pelo trabalho em Pantera Negra e sua sequência, iniciou o processo mergulhando em pesquisas históricas. A equipe reuniu fotografias do sul profundo dos Estados Unidos na década de 1930 e ilustrações de moda da época, materiais que serviram como base para os primeiros experimentos visuais.
A partir dessas referências, Gaskins utilizou ferramentas de IA generativa, especialmente a plataforma Midjourney, para transformar ideias em conceitos de figurino. Um dos recursos usados foi o comando “describe”, que permite gerar prompts a partir de imagens enviadas, abrindo caminho para variações visuais rápidas e experimentais.

O processo também incluiu a análise de trabalhos anteriores da própria artista. Carter chegou a explorar o perfil de Gaskins nas redes sociais em busca de imagens que dialogassem com a estética do filme. Em seguida, os prompts originais utilizados para gerar essas obras foram reaproveitados e adaptados para criar novos visuais.
Segundo Gaskins, o fluxo de trabalho foi “altamente colaborativo”. A criação envolveu reuniões por vídeo, trocas de mensagens e ajustes constantes nas imagens geradas pela IA. Após selecionar os conceitos preferidos, Carter e sua equipe refinavam os detalhes usando ferramentas de edição dentro do próprio sistema.
Apesar do “entusiasmo” com a rapidez do método, o episódio reacende uma discussão crescente na indústria criativa: até que ponto ferramentas de IA devem participar do processo artístico. Críticos apontam que a geração de imagens por modelos treinados com grandes bancos de dados pode reproduzir estilos e referências de artistas sem o mesmo reconhecimento ou remuneração.

Outro ponto sensível é o impacto sobre profissionais que historicamente trabalham na etapa de concept art, responsável por imaginar visualmente personagens e mundos antes da produção física. A possibilidade de gerar dezenas de variações em poucos minutos levanta dúvidas sobre a valorização desse trabalho humano.
No caso de Sinners, a IA foi usada principalmente para criar “thumbnails”, versões preliminares de figurinos que depois seriam avaliadas pela equipe criativa. Ainda assim, para parte da comunidade artística, o episódio ilustra uma tendência crescente de dependência tecnológica em áreas tradicionalmente baseadas em pesquisa manual, desenho e experimentação.






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