Parem de culpar o autor, culpe o capitalismo!
Farofeiros, farofeiras e farofeires, a Esquire publicou um texto que me chamou a atenção por reclamar do suposto atraso na entrega do novo livro de George R. R. Martin. Sim, suposto atraso.
Não posso falar que sou um fã Game of Thrones, logo não me importo com “A Dança dos Dragões” nem com o que vai acontecer em “The Winds of Winter”. Não é o tipo de fantasia, não é o tipo de história que me atraí… Mas nem por isso desprezo ou a chamo de ruim, aliás, sempre para escutar ou ler algo sobre o autor, gosto dele.
Sua luta contra a OpenAI é inspiradora, afirmar que a “o processo de escrita humana ainda está incompleto” falando de seu livro recente é uma afronta ao sistema que tenta corromper a arte e ainda assim é quase que uma faca incandescente no coração dos fãs de sua obra… Afinal, a declaração aponta que o seu próximo livro ainda não está pronto.
Em 2016, há 10 anos atrás, escrevi sobre sua obra atrasada, apontando que todo autor deveria ter o tempo que achar necessário para criar sua obra. Arte leva tempo mesmo e, como pude constatar nesse texto antigo meu, a minha obra também está atrasada… E muito.
Não tenho mais de 20 páginas escritas, não tenho contrato para a entrega e acredito que nem tenha fãs esperar o meu livro. Não sou um autor premiado e, como pode ser visto neste blog, por vezes a coisa é realmente devagar. O processo é realmente lento por não depender só de vontade, nem só de inspiração, é preciso que algo queime dentro de você e que mega corporações não tentem boicotar seu trabalho quando você vende os direitos para série de sua obra.
Sei que o livro está SUPOSTAMENTE atrasado, o autor já tem mais de 1.200 páginas… E ainda assim é cobrado sempre que possível. Se fosse eu no lugar de George já teria queimado qualquer coisa já escrita e teria começado de novo só para irritar quem me cobra.
Odeio cobranças e acredito já ter dito isso algumas milhares de vezes aqui na minha coluna. Mas fico triste em perceber que o meu trabalho e o de George R. R. Martin ter essa dificuldade toda para sair, sei que os motivos são totalmente diferentes. Acredito que nenhuma arte deveria sofrer tanto com a pressão de nossas vidas: seja um roteirista traíra, seja a conta atrasada, todos deveriam ter a chance de se expressar sem ter que pensar no contrato assinado.
Tudo isso só mostra como algo tão íntimo e abstrato como a arte – em qualquer uma de suas formas – se tornou mais uma engrenagem do capitalismo. Consegue imaginar como seria a arte sem a preocupação com dinheiro?
Ah, só para avisar também que George também gosta de gibi de boneco tá.






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