Netflix “descomprou” a Warner que agora vai para a Paramount (aparentemente).
A Netflix anunciou a compra da Warner Bros. por 82,7 bilhões de dólares e agora, depois de afirmar não ter dinheiro para pagar impostos no Brasil, a gigante do streaming decidiu que tinha dinheiro sobrando para comprar Batman, Harry Potter e a HBO inteira. Mas antes que alguém pudesse processar essa contradição, o roteiro ganhou uma reviravolta.
A Netflix desistiu do negócio.
A empresa que parecia disposta a dominar Hollywood inteiro bateu em retirada quando a Paramount elevou a oferta para 31 dólares por ação, totalizando 111 bilhões pela Warner Bros. E agora começa mais um episódio dessa série ruim.
A Paramount não é apenas mais uma empresa querendo crescer, ela pertence a David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle e amigo próximo do ditador Donald Trump. E quando falo que são próximos não estou exagerando. David foi convidado do presidente no discurso do Estado da União – onde ameaçou o Irã e falou sobre manter o domínio nas Américas – posou fazendo o sinal de “jóinha” e vem pavimentando seu caminho com recursos quase infinitos do papai e de fundos soberanos da Arábia Saudita, Qatar e Abu Dhabi… Os gamer não ficarão surpresos pois irão se lembrar a controversa compra da Eletronic Arts por grupos parecidos, com envolvimento de um genro de Donald inclusive.
O império que está se formando assusta, afinal, com essa compra os Ellison controlarão CBS, CNN, HBO, Warner Bros., Paramount, Discovery e ainda têm participação relevante no TikTok. Uma única família comandando praticamente metade do que os estadunidenses assistem – seja na TV, seja no streaming. E não é paranoia apontar o óbvio: desde que assumiu a CBS, a gestão Ellison tem feito mudanças editoriais questionáveis, como a contratação de Bari Weiss (chamá-la de extrema direita talvez seja pouco) para comandar o jornalismo da rede e o cancelamento de programas críticos ao governo Trump (Stephen Colbert que o diga).

A ex-comissária da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos, Alvaro Bedoya, foi direto ao ponto: uma família está prestes a controlar veículos fundamentais da mídia estadunidense, surpreendentemente ninguém utilizou o termo monopólio ou quartel. Senadores democratas prometem desmantelar esse conglomerado quando reconquistarem o poder, será mesmo?
Na semana passada a Netflix teve suas ações valorizadas em 10% após anunciar a desistência do negócio, o que indica que investidores acharam sensato não pagar essa fortuna toda em uma briga comercial com alguém apoiado pelo regime Donald Trump.
Essa não é uma questão financeira, é sobre concentração de poder, influência política direta sobre o jornalismo e a transformação de veículos de comunicação em ferramentas de propaganda… Não que a gente não veja isso por aqui, Globo, Estadão e Folha sentem inveja do que acontece nos EUA. Mas é interessante lembrar que ninguém elogia quando apontamos a extrema-direita dominando a mídia na Hungria.
Alguns gringos ficaram constrangidos em ver alguém com o boné do MAGA (Make America Great Again) ser entrevistado sobre a guerra que hoje os EUA promove contra o Irã. Imagine só o choque deles ao ver que o Fantástico mostrou gente com o boné MIGA (Make Iran Great Again) brindando os ataques dos EUA.
Mas tá tudo bem, né?






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