HBO Sabe Exatamente Quem Está Bancando, Não há consumo ético da série nova do Harry Potter
Por aqui decidimos que não iríamos mais falar de Harry Potter, denunciar sua autora é diferente, mas o personagem irá receber uma nova releitura e as redes sociais estão fervendo com fãs confusos. Por isso mesmo acredito que temos muito o que falar e nos posicionar mais uma vez.
Para começar a conversa lembramos que ninguém tem o direito de ser preconceituoso, nem Joane K. Rowling. Assim acredito que podemos começar a conversar.
A franquia Harry Potter é uma das maiores do mundo pop, faturando mais do que a Barbie ou Dragon Ball. Isso mostra o quanto o personagem é amado e consumido no mundo todo – e Joanne K. Rowling e a Warner Bros sabem disso. Não é a toa que decidiram produzir uma série na HBO para o personagem que dá dinheiro para uma autora que financia organizações que lutam contra direitos de transgêneros.
Visto isso é preciso apontar que não há como ser a favor de pautas de direitos transgêneros a ser fã de Harry Potter ao mesmo tempo. Enquanto entendemos que não há consumo ético no capitalismo é importante se posicionar quando pautas discriminatórias são tão alavancadas por uma autora. Pois no final o problema é exatamente esse, você indiretamente financiar o preconceito.
Joanne Rowling não esconde que doa uma fortuna em um grupo que conseguiu na Suprema Corte britânica que a definição legal de “mulher” seja baseada apenas no sexo biológico atribuído ao nascer. A medida apaga juridicamente a existência de mulheres trans e dificulta processos por discriminação de gênero naquele país.
A vitória foi celebrada por Rowling que posou para foto com a frase: “Adoro quando um plano dá certo” como lembrou o The Verge. O plano era financiar lobby anti-trans até virar lei.
Em 2020 Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint se posicionaram contra as falas da autora e Radcliffe tem apoiado abertamente diversas organizações em defesa dos direitos trans.

O esgoto é seu lar
Em 2019 a autora apoiou Maya Forstater, uma consultora que foi demitida por tuítes que negavam a existência de pessoas trans. O caso virou jurisprudência favorável à “liberdade de crença” transfóbica no Reino Unido, com Forstater recebendo £106 mil em indenizações.
Você se lembra de Imane Khelif? A medalhista olímpica de boxe em 2024 sofreu ataques de diversas pessoas que acreditarem se tratar de uma mulher trans. Acontece que a atleta não é e foi atacada publicamente por Joanne Rowling e seus asseclas, resultando em denúncia criminal. Sua retórica TERF (feminista radical trans-excludente) gritou para seus milhões de seguidores no Twitter que ampliou o preconceito e o ódio comum da extrema-direita contra uma mulher.
Podemos questionar se a Warner Bros. e a HBO sabem disso tudo, mas a resposta é óbvia. Eles sabem que assinaturas, varinhas, cachecóis e todo tipo de produto relacionado à Harry Potter financiam o ódio contra uma minoria vulnerável e estão felizes com isso pois também irão faturar muito.

Uma história sem magia
Se você é fã de Harry Potter você pode parar de consumir produtos Harry Potter – piratas ou originais. Parei de consumir o trabalho de Neil Gaiman e confesso que não sofri com isso como imaginei que sofreria… Mas cabe uma colocação aqui: você não precisa se desfazer do que já tem… Eu mesmo tenho guardado minha coleção de autoria de Neil Gaiman, mas não consumo ou falo do autor ou sua obra por aqui(apaguei algumas notícias também).
Também não não faltam alternativas de magos jovens em tribulações adolescentes que não financiam o ódio institucionalizada. Entenda que a questão não é se Harry Potter é bom ou ruim. É se vale a pena assistir sabendo exatamente para onde o dinheiro vai. Eu decidi não assistir e, espero, que você decida o mesmo… você pode assistir outra série, filme ou ler outro livro.
Não te convenci? Talvez verificar a opinião de Mikannn e HQ Sem Roteiro te ajude a decidir e ficar do lado certo dessa confusão.
* Imagens deste texto são do filme do Weird Al estrelado por Daniel Radcliff.






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