Hell Clock

Recorte da imagem da capa do jogo Hell Clock onde seu protagonista, um homem negro com capéu sertanejo e lenço vermelho ao redor do pescoço, empunha uma arma com a sua mão esquerda estendida para frente no estilo de histórias em quadrinhos. Isto ocorre à frente de um relógio dourado com fundo brando e números em tons de rosa brilhantes.

Hell Clock – o relógio do inferno está te chamando!

Não tenho palavras para descrever a surpresa que tive ao jogar pela primeira vez Hell Clock. O game brasileiro é um rogueline que combina elementos ARPG de uma maneira extremamente redonda.

O game tem sido extremamente elogiado pela imprensa internacional, sites como VICE e Rock Paper Shotgun adoraram o game da Rogue Snail. Mecânicas, gameplay, arte, música, a dublagem (que é apaixonante) com elementos que podem te fazer se lembrar de Hades até Diablo – tudo cheio de uma brasilidade que pouco vemos por aí.

Você controla Pajeú por cenários que lembram regiões e situações brasileiras, sem mencionar a fauna e a cultura. A mistura de religiões se transformam em bênçãos e habilidades das mais diversas, com direito de ser guiado por uma benzedeira. Aqui sua vingança pode vir de espíritos de Guardiões, armas de fogo e até um sino jogado na cabeça das criaturas infernais.

Mas o contexto mais importante do enredo é o relógio que te permite avançar até as profundezas do Inferno para trazer justiça às vítimas de Canudos e aí a coisa fica mais interessante ainda.

História no joguinho

Guerra de Canudos ocorreu de 1896 a 1897 e foi um conflito armado no sertão da Bahia, colocando o Exército brasileiro de um lado e a comunidade de Belo Monte, liderada pelo beato Antônio Conselheiro, do outro.

Milhares de sertanejos pobres, ex-escravos e indígenas que fugiam da miséria e da seca, atraídos pela esperança de uma vida melhor se agregaram em Belo Monte, mas isto não foi bem visto pelos poderosos. O movimento foi visto como uma ameaça monarquista à República recém-instalada no Brasil, então o governo federal enviou sucessivos ataques militares para conter o movimento. O conflito terminou com o massacre de cerca de 25 mil pessoas e a destruição total do arraial.

A Guerra de Canudos faz parte da nossa história, mas também faz parte da nossa cultura tamanha a marca que ficou no povo brasileiro. O episódio foi imortalizado no clássico literário Os Sertões, de Euclides da Cunha, o romance O Pêndulo de Euclides (2009), de Aleilton Fonseca, filmes como Guerra de Canudos (1997), dirigido por Sérgio Rezende com José Wilker e Cláudia Abreu, além da animação O Arraial, de Otto Guerra.

Hell Clock pode ser colocado ao lado dessas peças culturais com tranquilidade. A arte explode nos seus olhos com uma história que te prende do começo ao fim – sempre querendo vencer apenas mais um nível e vingar aqueles que foram massacrados.

A trilha sonora original de Hell Clock é belíssima, cheia de requintes e mais brasilidades. Ela é assinada por Thommaz Kauffmann, que também é o responsável da trilha de Dandara: Trials of Fear entre outros games.

Gameplay de Hell Clock

O game te faz testar builds e querer experimentar cada vez mais novas habilidades e a opções megalomaníacas contra a vilania dos militares. A quantidade de opções é incrível, as variações que os itens e os sistemas de árvores de talentos com certeza renderão muitas horas de jogatina.

Particularmente sou uma pessoa que gosta dessa parte de “tentativa e erro”, gosto de refazer builds e testar coisas absurdas. Hell Clock tem uma quantidade de opções invejável, não deixando ficando para trás de qualquer outro game similar!

Também fizemos duas lives com o gameplay inicial, as primeiras impressões foram extremamente positivas, como você pode conferir no vídeo abaixo.

O FAROFEIROS recebeu a chave do jogo para a avaliação e criação de conteúdo.

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