Hamnet | Oscar Recap 2026

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Bom dia, boa tarde, boa noite amantes da Sétima Arte! O FAROFEIROS segue com seu especial para o Oscar 2026, trazendo um resumo do enredo dos indicados a Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, além de métricas de aprovação e uma review sobre o filme.

Teremos o recap de 13 filmes (10 em Melhor Filme e 5 em Melhor Filme Internacional) para que você possa ter as informações mais críticas para debater com aquele seu amigo José Wilker no barzinho do happy hour, com direito a bater na mesa e soltar um “MAS É AÍ QUE TÁ”.

Meio óbvio dizer, mas o recap terá extensos spoilers sobre a trama dos filmes (mas avisaremos quando chegar nessa parte).

Um infográfico horizontal com fundo branco e detalhes em tons de roxo sobre o filme "Hamnet". No topo, uma barra roxa destaca o título em letras garrafais. Abaixo, as informações estão organizadas em três colunas principais: Coluna da Esquerda (Equipe Técnica): Lista Chloé Zhao como diretora; Steven Spielberg e Sam Mendes entre os produtores; roteiro de Chloé Zhao e Maggie O'Farrell; e elenco com Jessie Buckley e Paul Mescal. Também cita Max Richter (trilha) e ?ukasz ?al (fotografia). Coluna Central (Produção e Datas): Define o gênero como Drama Histórico, adaptado do livro de Maggie O'Farrell. Informa um orçamento de US 93 milhões. As datas indicam a estreia mundial em 29 de agosto de 2025 e no Brasil em 11 de outubro de 2025. Coluna da Direita (Crítica e Prêmios): Exibe notas altas em plataformas como IMDb (7,9), Letterboxd (4,2/5) e Rotten Tomatoes (86%). Ao final, lista 8 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Direção, Atriz e Roteiro Adaptado. O design é limpo, utilizando fontes sem serifa em tons de roxo e cinza escuro, cercado por uma moldura pontilhada.

Hamnet(2025)

Entre os dramas históricos mais comentados da temporada, Hamnet rapidamente se destacou como uma das adaptações literárias mais prestigiadas do ano. Dirigido por Chloé Zhao e baseado no romance de Maggie O’Farrell, o filme transforma uma história íntima e profundamente emocional em um retrato delicado sobre luto, criação artística e memória. Com atuações centrais de Paul Mescal e Jessie Buckley, o longa conquistou atenção no circuito de festivais pela sensibilidade da direção e pela maneira contemplativa com que aborda uma das tragédias pessoais associadas à vida de William Shakespeare.

A recepção entre críticos destacou sobretudo o tom poético do filme e sua abordagem pouco convencional de um drama de época. Em vez de se concentrar diretamente na figura histórica do dramaturgo, a narrativa prioriza a perspectiva familiar e emocional, explorando a experiência do luto e a forma como perdas pessoais podem reverberar na criação artística. Ainda que alguns espectadores tenham apontado o ritmo contemplativo como desafiador, o consenso foi de que Hamnet se firma como uma obra sensível e visualmente elegante, que transforma um episódio histórico em um estudo profundo sobre amor, ausência e legado.

Sinopse: Ambientado na Inglaterra do século XVI, o filme acompanha a vida de Agnes e de seu marido, um jovem dramaturgo ainda em ascensão, enquanto constroem uma família em Stratford-upon-Avon. Quando seu filho Hamnet morre repentinamente, a perda abala profundamente a família e redefine suas relações. Enquanto cada um tenta lidar com o luto à sua maneira, a dor da tragédia começa a se transformar em inspiração para uma obra que atravessaria os séculos.

RECAP DO FILME

Atenção! Spoilers de Hamnet à frente!

O filme começa em Stratford, onde conhecemos Agnes, uma mulher meio enigmática que vive circulando pela floresta, perto de uma caverna estranha. Ela pratica falcoaria, coleta ervas e tem aquela fama de “filha de bruxa da floresta”. Não exatamente a reputação mais tranquila numa vila do século XVI, mas até aí ela também não fazia muito pra não viver essa fama.

Enquanto isso, um jovem William Shakespeare, como todo bom artista, tá vendendo o almoço pra pagar a jantar e tenta ajudar a pagar as dívidas da família trabalhando como tutor. Um dia ele vê Agnes passando e simplesmente abandona a aula no meio para ir atrás dela. Prioridades ?.

Os dois se encontram e rola aquele momento de química imediata.. Depois descobrimos que a mãe de William, Mary, já tinha ouvido boatos sobre Agnes (burn the witch), que a mãe dela era uma curandeira que ensinou a filha a trabalhar com ervas e coisa tal. Logo depois Agnes prova isso curando um corte na testa de William com um remédio improvisado.

William começa a visitar Agnes na floresta com frequência ( ?° ?? ?°). Em um desses encontros, ela pede que ele conte uma história. William narra o mito de Orfeu e Eurídice, coisa BÁSICA, e Agnes fica encantada. Em troca, ela lê a palma da mão dele e prevê um futuro grandioso e que ele terá dois filhos ao lado dela quando ela morrer.

O romance engrena rápido. Rápido mesmo. Os dois acabam transando na floresta e Agnes engravida. Resultado: a família dela a expulsa de casa e ela acaba indo morar com os Shakespeares. William e Agnes se casam às pressas, e pouco depois nasce Susanna no meio da floresta, seguindo os ritos da família da Agnes (“a floresta nos protege” então eles sempre nascem no meio do mato).

A vida conjugal não começa exatamente tranquila. O pai de William, John, quer que o filho trabalhe no ofício manual da família e chega a bater nele quando William recusa. Agnes percebe que o marido está sufocado naquela vida e dá um empurrão decisivo: sugere ao irmão dela que ajude William a ir para Londres tentar carreira no teatro.

William parte para a cidade grande, deixando Agnes e a filha em Stratford.

Algum tempo depois Agnes está grávida novamente e decide sair de casa para dar à luz na natureza, como fez antes. Só que dessa vez a família de William impede e a mantém presa dentro de casa durante o parto.

Ela dá à luz gêmeos: Hamnet e Judith. Só que Judith aparentemente nasce morta. Agnes lembra de quando foi impedida de se despedir da própria mãe e exige segurar a bebê mesmo contra a superstição da família.

E aí acontece o pequeno milagre: Judith desperta.

~ 11 anos depois ~

William agora é um dramaturgo de sucesso em Londres, mas aparece em Stratford só de vez em quando. Mesmo assim, os três filhos cresceram muito próximos (ou tão próximo quanto deu).

Os gêmeos, Hamnet e Judith, são inseparáveis. Eles adoram trocar de roupa e tentar enganar os adultos fingindo ser um ao outro. Não que necessariamente seja efetivo, mas é fofo e é o que importa.

Hamnet é especialmente fascinado pelo trabalho do pai e vive dizendo que um dia quer entrar para a companhia de teatro dele.

Enquanto isso Agnes continua vivendo meio conectada à natureza. O falcão que ela treinava morre, e ela o enterra. Ela diz às crianças para fazerem um pedido ao espírito do pássaro, porque ele carregaria os desejos delas no coração.

Em Londres, William caminha pelas ruas durante um surto de peste bubônica (tranquilíssimo) e observa um espetáculo de marionetes sobre a própria peste levando pessoas para a morte (mais tranquilo ainda). Mas em Stratford, a tragédia chega de verdade e Judith contrai a peste.

Hamnet se deita ao lado da irmã doente e tenta animá-la contando a história do falcão. Em um gesto meio infantil e meio desesperado, ele diz que quer trocar de lugar com ela para enganar a morte. A cena é linda, o ator que faz Hamnet é espetacular e você fica de coração partido com aquela criança escolhendo a morte para salvar “sua metade”.

Chega a manhã e Agnes não encontra seu filho. Ela descobre que Hamnet se deitou com Judith durante a noite e tenta acordá-lo. Hamnet está mole, azul e frio, mas Judith está corada e aparentemente sã novamente.

Ele morre pouco depois. Em seus momentos finais ele imagina estar em um palco chamando pela mãe… e vê o falcão de Agnes aparecer. William corre de volta para casa quando recebe a notícia, mas chega tarde demais. Hamnet já está sendo velado.

A morte do menino destrói completamente o casamento de William e Agnes. O luto vira um silêncio enorme entre os dois. William tenta compensar comprando a maior casa de Stratford, mas logo volta para Londres. Antes de ele partir, Agnes segura a mão dele e diz algo devastador: ela agora não consegue mais ver nada no futuro.

Em Londres, William começa a ensaiar uma nova peça: Hamlet. Mas ele fica frustrado com os atores, que não conseguem alcançar a emoção que ele quer. Em um momento de desespero ele vai até o rio Tâmisa, se inclina sobre a água e recita sozinho o monólogo:

Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e flechas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.

Enquanto isso em Stratford, a madrasta de Agnes mostra a ela um panfleto anunciando a nova peça de William em Londres. Ela acusa Agnes de ter destruído a própria vida ao casar com ele. Agnes ignora a provocação. Decide ir até Londres com o irmão para assistir à peça. Eles chegam à cidade, mas não encontram William em casa. Então resolvem ir direto ao Globe Theatre para ver a estreia.

Quando Agnes descobre o título da peça, ela fica furiosa. Acha que o nome do filho morto está sendo profanado como entretenimento. Mas durante a apresentação algo muda.

William aparece no palco interpretando o fantasma do pai de Hamlet. E naquele momento Agnes entende que a peça inteira é, na verdade, uma elegia1 para Hamnet.

Ela começa a chorar enquanto assiste à cena entre Hamlet e o fantasma. Nos bastidores, William percebe Agnes na plateia. Ele escuta a peça continuar enquanto chora em silêncio. A história segue até o duelo final de espadas, exatamente o tipo de papel heroico que Hamnet sempre sonhou interpretar.

Na cena da morte de Hamlet, uma das mais lindas dessa temporada de premiações, Agnes estende a mão em direção ao ator da mesma forma que segurou a mão de William quando se conheceram. E, numa reação coletiva quase ritualística, o público inteiro começa a estender as mãos também.

Agnes nota que todos choram pela morte de Hamlet, ali simbolizando seu filho Hamnet e entende a extensão do luto de Shakespeare: fazer o mundo chorar o luto da sua morte no local onde ele mais queria estar, o palco.

Nesse momento Agnes tem uma visão. Ela vê Hamnet no palco. O menino, que antes parecia triste, sorri para ela. Depois se afasta e desaparece pelos bastidores… atravessando uma abertura que lembra a caverna da floresta onde tudo começou.

Pela primeira vez desde a morte do filho, Agnes ri e sorri novamente, entendo que o espírito do seu filho agora descansa, imortalizado no magnum opus de Shakespeare.

Opinião do Farofeiro

Eu não dava nada por ele. Achei que seria só mais uma adaptação orbitando o universo de William Shakespeare, dessas que vivem mais da fama do material original do que da própria força. Mas a segunda metade do filme chega como um soco no estômago. De repente tudo ganha peso, silêncio e uma carga emocional absurda que transforma a história num retrato devastador de luto.

Jesse Buckley está simplesmente surreal. É uma atuação gigante, crua, dolorosa, daquelas que parecem existir mais do que ser interpretadas. Paul Mescal eleva ainda mais tudo ao redor, mas essa é claramente a história dela e da dor que carrega pela perda de Hamnet. O filme entende que é esse o centro de toda a história e que não dá pra entender Hamlet sem entender Agnes.

E quando chega o final… p&#% que pariu. Uma das cenas mais bonitas e devastadoras que vi no cinema nessa Temporada. A sala inteira fungando, gente limpando lágrima sem nem tentar disfarçar. É daquelas adaptações que fazem você entender não só o poder de Shakespeare, mas o abismo emocional que pode existir por trás de uma obra. É espetacular.

No centro há uma faixa retangular preta contendo cinco ícones de coxas de frango alinhados lado a lado. Cada ícone mostra uma coxa de frango estilizada, com osso branco na ponta e a parte da carne em formato arredondado. As três primeiras coxas, da esquerda para a direita, aparecem em tom marrom alaranjado com pequenos detalhes mais escuros que sugerem textura da carne. A quarta coxa tem a mesma aparência das anteriores, também marrom alaranjada. A quinta e última coxa, à direita, aparece totalmente em cinza, incluindo a carne e o osso, indicando uma versão desativada ou diferente das demais.
  1. Um gênero poético focado no luto e na morte, comumente usado no lamento suave, mas que aumenta sua intensidade para expressar dor, perda, saudade. ↩︎

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