Bom dia, boa tarde, boa noite amantes da Sétima Arte! O FAROFEIROS segue com seu especial para o Oscar 2026, trazendo um resumo do enredo dos indicados a Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, além de métricas de aprovação e uma review sobre o filme.
Teremos o recap de 13 filmes (10 em Melhor Filme e 5 em Melhor Filme Internacional) para que você possa ter as informações mais críticas para debater com aquele seu amigo José Wilker no barzinho do happy hour, com direito a bater na mesa e soltar um “MAS É AÍ QUE TÁ”.
Meio óbvio dizer, mas o recap terá extensos spoilers sobre a trama dos filmes (mas avisaremos quando chegar nessa parte).

Frankenstein(2025)
Frankenstein marca a realização de um projeto de décadas do diretor Guillermo del Toro, que finalmente leva às telas sua própria interpretação do clássico gótico de Mary Shelley. Com um elenco liderado por Oscar Isaac, Jacob Elordi e Mia Goth, o filme rapidamente se consolidou como um dos títulos mais comentados do circuito de festivais, elogiado pela estética sombria, pelo design de produção detalhado e pela abordagem emocional característica do cineasta mexicano.
A recepção inicial destacou principalmente o equilíbrio entre horror clássico e drama humano, uma marca recorrente na filmografia de del Toro. Em vez de tratar a criatura apenas como um monstro, o filme enfatiza sua dimensão trágica e existencial, explorando temas como solidão, responsabilidade e os limites da ambição científica. Embora alguns críticos tenham apontado o tom contemplativo e melancólico como distante das versões mais tradicionais da história, a maioria concordou que Frankenstein se firma como uma adaptação visualmente grandiosa e profundamente sensível de um dos mitos mais duradouros da literatura.
Sinopse: Ambientado na Europa do século XIX, o filme acompanha Victor Frankenstein, um jovem cientista obcecado em ultrapassar as fronteiras da vida e da morte. Após criar uma criatura a partir de restos humanos e trazê-la à vida por meios não naturais, Victor se vê incapaz de lidar com as consequências de sua própria descoberta. Rejeitado por seu criador e pelo mundo, A Criatura passa a buscar sentido para sua existência, desencadeando uma tragédia que colocará frente a frente criador e criação.
RECAP DO FILME
Atenção! Spoilers de Frankenstein à frente!
O filme começa em 1857, com o navio dinamarquês Horisont abrindo caminho rumo ao Polo Norte. Só que a jornada vai pro saco quando o navio fica preso no gelo ártico. Clima perfeito para coisas darem errado.
No meio desse cenário congelado, a tripulação vê uma explosão distante no gelo. O capitão Anderson manda um grupo investigar e eles encontram um homem quase morto: Victor Frankenstein. Todo arrebentado, delirando, basicamente um pacote de trauma ambulante.
Eles levam Victor para bordo… e imediatamente são atacados por uma criatura humanoide gigantesca que aparece exigindo que Victor seja entregue. O capitão resolve a situação do jeito mais século XIX possível: uma blunderbuss na cara da criatura, que cai no mar.
Victor então solta a frase que ninguém queria ouvir naquele momento:
“Eu criei aquilo.”
E começa a contar a sua história.
Victor cresce numa família aristocrática respeitadíssima, mas completamente disfuncional. A mãe dele morre ao dar à luz o irmão mais novo, William, que imediatamente vira o favorito do pai. Já Victor cresce entre luto mal resolvido e um pai abusivo.
Resultado previsível: o menino abusado emocionalmente pelo pai médico vira um megalomaníaco com complexo de Deus que quer acabar com a Morte™ pra vingar sua mãe.
E aí começa seu objetivo de matar a morte.
- Passo 1: arrumar cadáveres.
- Passo 2: não ser mais um cadáver.
- Passo 3: ahn… Não chegamos nessa parte. Ainda.
Num dos seus primeiros testes ele faz um busto humano gritar em agonia numa respiração pesada enquanto brinca com uma maçã. Macabro, mas ele tá EXULTANTE de ter um morto.. vivo? Ninguém sabe se tá vivo ou só menos morto.
A universidade reage como qualquer instituição do século XIX reagiria: abre um tribunal disciplinar, chama tudo de blasfêmia contra Deus e expulsa Victor na hora.


Mas no meio da plateia desse julgamento está Henrich Harlander, um comerciante de armas riquíssimo que fica completamente fascinado pela ousadia científica de Victor. Harlander faz uma proposta simples e absolutamente nada suspeita (confia): financiamento ilimitado, uma torre isolada para laboratório e liberdade total para continuar os experimentos. Victor aceita sem perguntar muito (claro).
Ele chama o irmão William para ajudá-lo a montar o laboratório e, nesse período, acaba se apaixonando por Elizabeth, sobrinha de Harlander e (coisa boba) noiva de William. Ela educadamente recusa as investidas dele.
Semanas se passam e nada dos mortos ficarem vivos. Harlander começa a ficar impaciente e exige resultados em uma semana. Victor então acelera o projeto: pega partes de criminosos executados e soldados mortos na Guerra da Crimeia e monta um corpo inteiro. A pressão de Harlander sobe ainda mais e vem a bomba: é ELE que quer ser imortalizado porque está morrendo de sífilis. Num último pedido, ele quer que seu cérebro seja colocado na criatura de Frankenstein que, curiosamente, acha isso tudo uma grande loucura (quem que poderia imaginar).
Harlander tenta sabotar o experimento durante uma tempestade, arrancando os para-raios e desmontando a única oportunidade de Victor. Numa briga, Harlander cai do alto da torre e explode no chão ao lado da criatura ainda morta (vai estar viva?).
Victor continua o experimento mesmo assim. Durante uma tempestade, um raio atinge a criatura exatamente como planejado. Nada acontece, feijoada. Projeto fracassado. Só que na manhã seguinte Victor é acordado pela Criatura. IT’S ALIVE.
Victor fica maravilhado. A criatura tem força absurda, cicatriza ferimentos em segundos e parece praticamente indestrutível. O problema é que cognitivamente ele não evolui muito. Victor só consegue ensiná-lo a falar uma palavra: “Victor”, obviamente pra nutrir seu complexo de Deus. Frustrado com o progresso limitado, Victor começa a tratar a Criatura com a mesma crueldade que sofreu do pai. Castigos, humilhações, disciplina violenta.
Elizabeth visita o laboratório e fica horrorizada com a forma como Victor trata o ser. Ela começa a demonstrar compaixão e ensina a criatura a dizer o nome dela também. Tudo degringola quando William encontra o corpo de Harlander perto da torre. Victor, para salvar a própria pele, mente dizendo que a criatura matou o homem num acesso de fúria. Depois que William e Elizabeth vão embora, Victor decide resolver tudo de uma vez: incendeia o laboratório com a Criatura dentro.
Quando ouve a criatura gritando seu nome, ele tenta voltar para salvá-la, mas nesse momento a torre explode. Victor sobrevive… mas perde uma perna.
PARA TUDO. No navio no Ártico, a Criatura reaparece e agora ela quer contar a própria versão da história.
Depois da explosão, a criatura sobrevive e foge.

Ela se esconde nas engrenagens de um moinho numa pequena fazenda. Durante quase um ano inteiro, vive ali secretamente ajudando a família que mora no lugar sem que eles saibam que seja (eles acham que é um espírito da floresta). Corta lenha. Constrói cercado para as ovelhas. Resolve pequenos problemas da propriedade. A família começa a agradecer a esse espírito da floresta com comida.
Quando o resto da família sai para caçar lobos nas montanhas, a Criatura finalmente se aproxima do único morador que ficou: o patriarca cego. Os dois viram amigos e o velho ensina a criatura a ler e falar corretamente usando os maiores clássicos da época, o que faz a Criatura não apenas ficar alfabetizada como também culta.
Algum tempo depois, a criatura visita as ruínas do laboratório de Victor e descobre toda a verdade sobre sua criação… junto com o endereço da casa de Victor. Ao voltar para a fazenda ele encontra o velho sendo atacado por lobos. A criatura espanta os animais, mas o homem já está morrendo. A família retorna e vê a cena e acreditam que a Criatura matou o patriarca.
A Criatura é alvejada e morre na entrada da propriedade e ali percebe algo terrível (?), imortalidade. O que era morto nunca mais vai poder morrer.
Condenada a uma eternidade de solidão, ela decide confrontar Victor. O encontro acontece no pior momento possível: o casamento de William e Elizabeth.
A Criatura exige que Victor crie uma companheira para ela. Victor se recusa. Ele teme que as duas criaturas possam se reproduzir e criar uma nova espécie A discussão vira um caos. Elizabeth tenta proteger a Criatura por ver em sua existência simplesmente a vontade de estar vivo e ser feliz (algo que ela mesma almejou a vida toda). Victor tenta atirar na Criatura… e acaba acertando Elizabeth.
William tenta atacar a Criatura e também é mortalmente ferido. Antes de morrer, ele olha para Victor e diz:
“O monstro é você.”
A criatura leva Elizabeth para uma caverna e fica com ela até sua morte. Victor enlouquece de culpa e decide perseguir a Criatura até o fim do mundo. Literalmente fim do mundo, eles estão se perseguindo no ÁRTICO.
Lá, a criatura tenta se matar usando dinamite e nem isso funciona. E essa foi a explosão que os manos do navio ouviram e que começou essa história toda.
Completamente destruídos física e emocionalmente, Frankenstein e Criatura os dois têm uma última conversa franca e sincera, onde se chamam pela primeira vez de pai e filho. Victor então morre devido aos ferimentos da perseguição da Criatura.
Completamente sozinha no mundo e sem seu criador para lhe dar um igual, a Criatura decide ficar no Ártico, liberando o navio que estava preso no gelo com sua força.
Na última cena, ela estende os braços para o sol da manhã, exatamente como Victor havia lhe ensinado quando tentou mostrar o mundo pela primeira vez. E ali, pela primeira vez, ela simplesmente sente o calor da luz.

Opinião do Farofeiro
Era o filme dos sonhos de Guillermo del Toro. E ele fez exatamente assim. Não para agradar estúdio, crítica ou público. Fez por amor mesmo. Amor à história de Mary Shelley, amor aos personagens, amor ao cinema. Esse carinho aparece em cada frame. Nas mãos de Del Toro, Frankenstein vira quase uma pintura barroca. A ambientação é sombria sem ser opaca, a fotografia é belíssima e cheia de textura, e cada cena parece esculpida com o mesmo cuidado obsessivo do próprio Victor criando sua obra.
O mais interessante é que o filme evita o clichê fácil do cientista louco e do monstro feito de pedaços. Del Toro volta direto à essência do romance. O horror da existência. O peso da criação. O desespero do abandono. Aqui, Frankenstein é sobre um homem tentando desafiar a morte e uma criatura tentando entender o que significa estar viva. É Prometeu roubando o fogo, é Adão acordando num mundo onde o criador não o responde. E nesse jogo de espelhos, Elizabeth deixa de ser coadjuvante romântica e vira eixo simbólico da história. Enquanto a Criatura nasce envolta em bandagens, Elizabeth aparece num vestido que se desfaz em tiras, como se refletisse esse nascimento. A Criatura nasce para a morte. Elizabeth, cercada pela morte, ainda assim representa a esperança na vida.
O filme inteiro é construído sobre alegorias sutis e densidade emocional. Um estudo sobre humanidade, limites e responsabilidade. Porque se a criatura é o erro, é o criador quem se recusa a se reconhecer em sua obra e lhe nega a existência plena. E é exatamente aí que Del Toro se diferencia de tantas versões anteriores: seu Frankenstein tem tudo para ser a leitura definitiva do romance de Shelley. Uma obra que não só adapta o livro, mas nos lembra por que ele ainda nos assombra quase dois séculos depois.







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