A criadora chama de Óculos Inteligentes, mas são utilizados como Óculos de Pervertidos
Comercializado de maneira aberta no regime Donald Trump os chamados Óculos Inteligentes da Meta tem causado constrangimento e exposição – principalmente de jovens mulheres – quando utilizados por homens. Em reportagem o site Futurism mostra o quanto o acessório equipado com câmeras e IA contribuí para o assédio e bullying de vítimas extremamente jovens em ambientes que deveriam ser seguros – como o escolar.
Isso já é um trend em algumas redes sociais mostrando situações constrangedoras contra adolescentes utilizando IA para a criação de conteúdo rápido para redes pouco moderadas como Instagram e Tiktok. Mas isto é só a ponta do problema que pode ser muito mais profundo e assustador, colocando qualquer pessoa em uma situação ímpar de assédio. No Brasil o aparelho já é chamado de Óculos de Pervertido e motivos para isso não faltam.
No Brasil já existe a Lei Federal nº 15.100/2025, que proíbe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais em ambiente escolar – isso incluí os tais Óculos Inteligentes da Meta e até smartphones – em estabelecimentos públicos e privados de ensino da educação básica. A lei permite, porém, o uso para fins pedagógicos e a possibilidade do uso de aparelhos afim de garantir acessibilidade e inclusão.
O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a organização de direitos digitais Coding Rights protocolaram uma representação conjunta contra os óculos da Meta, produzidos em parceria com a Ray-Ban, dia 20 de Agosto de 2026. A denúncia foi entregue à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e ao Ministério Público Federal.
Mas uma regulamentação se faz necessária já que o ambiente escolar não é o único que pode ser usado para o abuso e o constrangimento. O caso mais assustador até o momento envolve um ginecologista suspeito de usar o Óculos Inteligente da Meta para filmar paciente durante consulta em Salvador, BA.

No sentido de tentar regulamentar o uso do aparelho o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) propôs medidas no Projeto de Lei 19/2026. Entre as exigências sugeridas incluem:
- Emissão de sinais visuais ou sonoros claros e permanentes enquanto estão gravando.
- Recurso que bloqueia de fábrica o recurso de reconhecimento facial ou identificação biométrica de terceiros.
- Restrição de uso em ambientes com expectativa de privacidade como banheiros, vestiários, hospitais, salas de aula e templos religiosos.
Enquanto ainda se trata de apenas um projeto de lei espera-se que ambientes como transporte público, transporte por aplicativo e até prestação de serviços, tal aparelho deva ser proibido também. Enquanto discutimos isto é importante apontar que a Alemanha já estuda a proibição total de tal aparelho.
A Meta se defende afirmando que seus óculos possuem um LED de captura que não pode ser desligado e que a câmera é desativada se a luz for coberta ou danificada. Em uma busca rápida em redes administradas pela Meta é possível encontrar tutoriais de como burlar este sistema facilmente.
Será que algum dos amigos de escola de Mark Zuckerberg poderão utilizar tal óculos em sala de aula? Ou vai ter alguém cobrando liberdade de expressão nessa história?
