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    Entendendo o Quociente Eleitoral

    Rodrigo Castro
    editor · farofeiros

    O Quociente Eleitoral nem é tão complicado como falam por aí. Sério.

    No dia 4 de Outubro de 2026 teremos o primeiro turno das eleições, nela serão definidos os nomes de deputados federais e estaduais utilizando cálculos proporcionais de quociente eleitoral e quociente partidário. Os cálculos feitos pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas não são nenhum bicho de sete cabeças.

    Particularmente acredito que a esquerda precisa entender muito bem este cálculo como tática de enfrentamento mesmo, e, quando possível, utiliza-la. Estou falando do “puxador de votos” que acaba por eleger candidatos que não conseguiram uma votação expressiva. E gostando ou não o “puxador de votos” funciona! A pessoa entra na eleição para vencer nas urnas, mas também para carregar consigo outros nomes da legenda.

    Por isso hoje é comum partidos recrutarem celebridades, lideranças religiosas, influenciadores e outras figuras sem importância política pensando nessa lógica e estabelecendo bancadas.

    Mas o que é Quociente Eleitoral?

    Diferente do que acontece para eleição de presidente, governador e senador, onde o mais votado vence, a eleição para deputado federal, deputado estadual e deputado distrital, seguem o sistema proporcional. As vagas não são conquistadas apenas pelos candidatos mais votados individualmente, o total de votos de cada partido ou federação afeta este cálculo também.

    Cada partido ou federação precisa alcançar um número mínimo de votos para ter direito uma cadeira e para chegar nesse número de corte, a Justiça Eleitoral faz dois cálculos:

    1. QUOCIENTE ELEITORAL

    O primeiro cálculo define quantos votos um partido precisa para conquistar uma cadeira. Ele é obtido dividindo-se o total de votos válidos (sempre excluindo brancos e nulos) pelo número de vagas em disputa naquele estado.

    Exemplo: Se em um estado com 10 vagas para deputado federal contabilizar 1 milhão de votos válidos, o quociente eleitoral será de 100 mil votos. Ou seja, para ocupar uma cadeira o candidato precisaria de – no mínimo – 100 mil votos.

    2. QUOCIENTE PARTIDÁRIO

    Com o Quociente Eleitoral definido o cálculo para verificar quantas vagas cada partido ou federação terá direito tem início. Neste cálculo divide-se o total de votos recebidos pelo partido ou federação (somando votos em seus candidatos e na legenda) pelo Quociente Eleitoral.

    Exemplo: Se um partido obteve 250 mil votos no total, e o quociente eleitoral é de 100 mil, o partido teria direito a 2 vagas. A conta é uma divisão simples da quantidade de votos pelo Quociente Eleitoral, assim 250 mil ÷ 100 mil = 2,5 (a regra ignora casas decimais e não há arredondamento).

    Fotografia em uma zona eleitoral com uma pessoa confirmando a digital a frente de uma cabina de votação

    O peso do puxador de votos

    Com o cálculo em mãos fica evidente a importância do puxador de votos neste sistema. As vagas conquistadas pelo partido são preenchidas pelos seus candidatos mais votados, desde que cada um deles atinja uma votação mínima individual. Em 2026 a votação mínima estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral é de 10% do quociente eleitoral.

    Um candidato com poucos votos pode ser eleito se o partido tiver um bom desempenho geral – incluindo votos em outros candidatos e diretamente na legenda ou federação. A situação onde um candidato é muito votado também pode não lhe garantir uma cadeira se seu partido não alcançar o Quociente Partidário.

    Assim o “puxados de votos” acaba trazendo vantagens à sua legenda que acaba por ganhar vagas restantes acabam por acomodar aqueles com menos votos diretos seguindo, mas neste caso existem etapas adicionais. As chamadas “sobras eleitorais” completam as cadeiras da casa com candidatos que entram em regimes distintos, de acordo com a situação da eleição:

    • 1ª etapa: Participam apenas os partidos que tenham alcançado 80% do quociente eleitoral e que tenham candidatos com votação mínima de 20% do Quociente Eleitoral.
    • 2ª etapa: Se ainda sobrarem vagas, todos os partidos que participaram da eleição podem disputá-las, independentemente dos percentuais mínimos de Quociente Eleitoral. Neste caso se divide o total de votos do partido pelo número de vagas que ele já conquistou, mais um. O partido com a maior média leva a vaga restante, e o cálculo é repetido até que todas as cadeiras sejam preenchidas.

    É justamente por essa regra que o voto em uma candidata como Erika Hilton (PSOL-SP) fortalece todo o seu partido e sua federação. Quanto mais votos o partido somar, maior será seu Quociente Partidário, garantindo mais vagas e permitindo que mais candidatos da mesma legenda, ideologicamente alinhados, sejam eleitos.

    Detalhe em close up de um modelo de um título eleitoral brasileiro

    Mais representatividade?

    A Emenda Constitucional 97, promulgada em 2017, criou uma cláusula de desempenho aplicada a partir das eleições de 2018, Agora partidos que não atingem os requisitos mínimos deixam de ter acesso aos recursos do Fundo Partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão.

    A regra acaba por estimular alianças mais permanentes entre legendas através das federações partidárias foram, criadas em 2021. Estas permitem que dois ou mais partidos atuem como uma única agremiação por pelo menos quatro anos, embora cada partido mantenha sua identidade.

    Em publicação do site da Câmara dos Deputados estes seriam os motivos que trariam mais representatividade à política, porém, não é isso que constatamos. Hoje vemos uma Câmara extremamente conservadora, bloqueando pautas que não lhes beneficia e uma constante briga por emendas parlamentares. Nós precisamos nos apropriar da tática amplamente utilizada pela extrema-direita.

    Para enfrentar aqueles que atacam nossos direitos o voto individual é cada vez mais importante, devemos abandonar de vez o “já ganhou mesmo” e substituir por um pensamento que garanta a nossa vitória. Independente do seu candidato ser o mais votado, você deve manter seu voto afim de eleger figuras importantes em bancadas expressivas, mas com poucos votos. Não basta apenas votar em Lula, é preciso que seus candidatos lutem por minorias que são alvos de discurso de ódio por outros candidatos.

    Quando você vota, você não faz só por você.

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