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	<title>Artigos de Dennis Almeida em FAROFEIROS</title>
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	<description>Podcasts e blog de cultura pop, games e política</description>
	<lastBuildDate>Mon, 16 Mar 2026 21:35:25 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Artigos de Dennis Almeida em FAROFEIROS</title>
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		<title>O Escudo e a Armadura: MCU e o Espectro Redpill na Cultura Pop Contemporânea</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dennis Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 21:34:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Marvel Studios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><a href="https://farofeiros.com.br">FAROFEIROS</a> <a href="https://farofeiros.com.br">FAROFEIROS - Podcasts e blog de cultura pop, games e política</a></p>
<p>Prólogo: A Infância Prolongada Alan Moore, disse certa vez que os filmes de super-heróis representam uma &#8220;catástrofe cultural&#8221; — não por serem violentos ou escapistas, mas por serem infantis. Não no sentido pejorativo de &#8220;ruins&#8220;, mas no sentido literal de &#8220;coisa de criança&#8220;. Moore argumenta que, enquanto gerações passadas amadureciam e deixavam para trás as [&#8230;]</p>
<p><a href="https://farofeiros.com.br/o-escudo-e-a-armadura-mcu-e-o-espectro-redpill-na-cultura-pop-contemporanea/">O Escudo e a Armadura: MCU e o Espectro Redpill na Cultura Pop Contemporânea</a></p>
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<h2 class="wp-block-heading">Prólogo: A Infância Prolongada</h2>



<p>Alan Moore, disse certa vez que os filmes de super-heróis representam uma &#8220;catástrofe cultural&#8221; — não por serem violentos ou escapistas, mas por serem <strong>infantis</strong>. Não no sentido pejorativo de &#8220;<em>ruins</em>&#8220;, mas no sentido literal de &#8220;<em>coisa de criança</em>&#8220;. Moore argumenta que, enquanto gerações passadas amadureciam e deixavam para trás as fantasias de poder da infância, nossa época as transformou em entretenimento dominante para adultos. É como se tivéssemos parado de crescer.</p>



<p>Esta observação é o ponto de partida necessário para entender a relação entre o <a href="https://farofeiros.com.br/entreguem-o-mcu-para-zack-snyder/" type="post" id="88558">MCU </a>e o zeitgeist <a href="https://farofeiros.com.br/a-historia-profunda-na-direita-contemporanea/" type="link" id="https://farofeiros.com.br/a-historia-profunda-na-direita-contemporanea/">redpill</a>. Porque o que está em jogo não é apenas uma disputa política sobre representação ou diversidade. O que está em jogo é o que acontece quando <strong>homens que deveriam ser adultos tomam fantasias infantis como manuais de conduta</strong> — e quando a indústria cultural, por sua vez, começa a tratar justamente esses homens infantilizados como seu público-alvo.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1280" height="720" src="https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-6-FAROFEIROS.COM_.BR_.jpg" alt="" class="wp-image-96492" srcset="https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-6-FAROFEIROS.COM_.BR_.jpg 1280w, https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-6-FAROFEIROS.COM_.BR_-300x169.jpg 300w, https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-6-FAROFEIROS.COM_.BR_-711x400.jpg 711w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Parte I: O Homem de Ferro e a Fantasia do Poder Sem Consequências</h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O Brinquedo e a Criança</strong></h3>



<p>Tony Stark, em sua versão cinematográfica, é a realização perfeita da fantasia infantil de poder. Ele tem tudo: dinheiro infinito, brinquedos tecnológicos, mulheres, liberdade absoluta. E, principalmente, <strong>ele não presta contas a ninguém</strong>. A cena em que ele ironiza uma jornalista, dorme com ela e a dispensa no café da manhã não é apenas &#8220;<a href="https://farofeiros.com.br/tony-stark-e-um-babaca/" type="post" id="56433">comportamento de playboy</a>&#8221; — é a representação de um mundo onde as ações não têm consequências emocionais reais.</p>



<p>Esta é a essência da fantasia infantil: o <strong>desejo sem a responsabilidade</strong>. A criança quer o brinquedo, mas não quer guardar; quer o poder, mas não quer as consequências; quer a admiração, mas não quer o esforço.</p>



<p>A genialidade do <a href="https://farofeiros.com.br/ordem-cronologica-oficial-dos-filmes-da-marvel/" type="post" id="52416">MCU</a>, em seus poucos&nbsp; melhores momentos, foi precisamente <strong>subverter essa fantasia</strong>. Tony Stark passa 11 anos aprendendo que suas ações têm consequências. O homem que começa ironizando uma jornalista termina morrendo nos braços da mulher que ama, tendo aprendido que o amor não é um troféu, mas uma relação. O homem que começa fabricando armas termina sacrificando a própria vida para salvar estranhos.</p>



<p>Mas para uma parcela do público — aquela que nunca quis crescer junto com o personagem — essa jornada é vivida como <strong>traição</strong>. O Tony Stark que eles amavam era o do primeiro filme: o &#8220;<em>alfa</em>&#8221; sem freios, o homem que podia tudo. O Tony Stark que aprende a ser humano é, para eles, uma versão diminuída, &#8220;castrada&#8221;, domesticada.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A Morte como Problema Narrativo</strong></h3>



<p>A morte de Tony Stark em <a href="https://farofeiros.com.br/vingadores-ultimato/" type="post" id="54834">Ultimato </a>é, para esse público, um <strong>insulto</strong>. Não porque seja mal escrita — é, objetivamente, uma das mortes mais bem construídas do cinema blockbuster — mas <strong>porque mata a fantasia</strong>. O homem que podia tudo morre. O brinquedo quebra. E, pior, morre por uma causa coletiva, não por um ato de poder individual.</p>



<p>A reação de certos setores do fandom à morte de Stark revela algo profundo sobre a relação com a fantasia: a <strong>recusa em aceitar que as histórias terminam</strong>. É a mesma lógica que move a obsessão por multiversos, prequels, ressurreições e retcons. Se o herói morre, a fantasia acaba. E a fantasia não pode acabar.</p>



<p>Quando <a href="https://farofeiros.com.br/por-que-robert-downey-jr-e-o-doutor-destino/" type="post" id="91851">Robert Downey Jr. é anunciado como Doutor Destino</a>, a exultação geral não é apenas nostalgia — é o alívio de quem vê a fantasia sendo reanimada. Não importa que seja outro personagem. O rosto é o mesmo. O brinquedo volta à prateleira.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-4-FAROFEIROS.COM_.BR_.jpg" alt="" class="wp-image-96490"/></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Parte II: O Capitão América e a Fantasia da Autoridade Moral</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O Herói Que Não Quer Poder</strong></h3>



<p>Steve Rogers é, em muitos aspectos, o oposto da fantasia infantil de poder. Ele não quer ser forte; quer fazer o que é certo. Ele não busca admiração; busca proteger. Ele não deseja o escudo como símbolo de status; carrega-o como fardo.</p>



<p>Esta é uma <strong>fantasia diferente, mas ainda assim uma fantasia</strong>: a da autoridade moral inquestionável. Steve Rogers nunca erra. Steve Rogers sempre sabe o que fazer. Steve Rogers é o pai que nunca falha, o líder que nunca hesita, o juiz que nunca se engana.</p>



<p>Para o público que busca na ficção aquilo que a realidade não oferece — certezas, clareza moral, hierarquias estáveis — Steve Rogers é o porto seguro. Ele é a prova de que, em algum lugar, existe um homem bom que sabe exatamente o que é certo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O Final como Abandono</strong></h3>



<p>Quando Steve escolhe ficar no passado com Peggy, ele <strong>abandona</strong> essa posição. Ele troca a autoridade moral inquestionável pela vida comum, troca o símbolo pela experiência, troca o dever pelo desejo. Para o público que o via como pai simbólico, é um abandono. Para o público que projetava nele a própria necessidade de certezas, é uma traição.</p>



<p>O redpill lê esse final como &#8220;<em>fraqueza</em>&#8221; porque sua gramática emocional não comporta a ideia de que esse homem possa escolher a felicidade privada sobre o poder público. Mas a verdade é mais simples e mais incômoda: Steve Rogers cresceu. Ele completou sua jornada. Ele não precisa mais ser o Capitão América porque aprendeu a ser apenas Steve.</p>



<p>O problema é que uma parcela do público não completou a jornada junto com ele. E, ao vê-lo partir, sente-se órfã.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1280" height="720" src="https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-4a-FAROFEIROS.COM_.BR_.jpg" alt="" class="wp-image-96493" srcset="https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-4a-FAROFEIROS.COM_.BR_.jpg 1280w, https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-4a-FAROFEIROS.COM_.BR_-300x169.jpg 300w, https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-4a-FAROFEIROS.COM_.BR_-711x400.jpg 711w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Parte III: Sam Wilson e a Recusa em Crescer</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O Homem Comum e a Fantasia do Escolhido</strong></h3>



<p><a href="https://farofeiros.com.br/falcao-e-o-soldado-invernal/" type="post" id="74107">Sam Wilson</a> é, talvez, o personagem mais adulto do MCU. Não tem superpoderes. Não tem soro. Não tem fortuna. Tem apenas suas asas, sua experiência militar e sua convicção. Ele é o herói que <strong>escolhe</strong> ser herói, não o que <strong>nasce</strong> herói ou o que é <strong>transformado</strong> em herói.</p>



<p>Esta é <strong>uma fantasia radicalmente diferente</strong> — e, por isso mesmo, <strong>profundamente incômoda</strong> para quem busca na ficção a validação de que &#8220;<em>alguns nascem para liderar</em>&#8220;. Sam Wilson sugere exatamente o oposto: que <strong>liderança é escolha</strong>, que heroísmo é decisão, que qualquer um pode carregar o escudo se tiver coragem.</p>



<p>A rejeição a Sam Wilson, em certos setores do fandom, não é apenas sobre racismo (embora seja também sobre isso) ou sobre &#8220;tradição&#8221; (embora seja também sobre isso). <strong>É sobre</strong> <strong>a recusa em aceitar uma fantasia menos confortável</strong>. É mais fácil acreditar que Steve Rogers era especial porque tomou o soro do que acreditar que ele era especial porque escolheu ser. Porque se a segunda opção for verdadeira, Para o espectador que busca na ficção a segurança das certezas, essa série é um desconforto permanente. Não há vilões claramente maus (Apátrida têm pontos válidos, mesmo que seus métodos sejam errados). Não há heróis claramente bons (<a href="https://en.wikipedia.org/wiki/U.S._Agent" type="link" id="https://en.wikipedia.org/wiki/U.S._Agent">John Walker</a> é um soldado tentando fazer o certo dentro de um sistema quebrado). <strong>Há apenas pessoas tentando navegar um mundo complexo</strong>.</p>



<p>Este é o <strong>território de imaginário menos infantil</strong>. Mas é um território que uma parcela do público — a mesma que reclama que &#8220;<em>a Marvel ficou complicada demais</em>&#8221; — não quer habitar.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1280" height="720" src="https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-7-FAROFEIROS.COM_.BR_.jpg" alt="" class="wp-image-96494" srcset="https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-7-FAROFEIROS.COM_.BR_.jpg 1280w, https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-7-FAROFEIROS.COM_.BR_-300x169.jpg 300w, https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-7-FAROFEIROS.COM_.BR_-711x400.jpg 711w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Parte IV: Alan Moore e a Catástrofe Cultural</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O Que Moore Estava Dizendo</strong></h3>



<p>Quando <a href="https://farofeiros.com.br/alan-moore-sempre-tem-razao-e-voce-nao/" type="post" id="60664">Alan Moore</a> fala em &#8220;<em>catástrofe cultural</em>&#8220;, ele não está apenas reclamando de filmes de herói. Ele está apontando para um fenômeno mais amplo: <strong>a infantilização da cultura adulta</strong>. Em suas palavras, pessoas que deveriam estar lendo Proust ou assistindo Scorcese estão discutindo quem é o melhor Homem de Aranha como se isso fosse assunto sério.</p>



<p>Moore não está dizendo que entretenimento não pode ser divertido. Está dizendo que, quando uma cultura inteira passa a tratar fantasias infantis como o ápice da expressão artística, algo se perde. Perde-se a capacidade de lidar com ambiguidade, com nuance, com complexidade moral. Perde-se a tolerância ao desconforto. Perde-se, em suma, a <strong>maturidade</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A Conexão Redpill</strong></h3>



<p>O movimento redpill é, sob essa ótica, uma das manifestações mais claras dessa <strong>infantilização</strong>. Sua visão de mundo é essencialmente <strong>maniqueísta</strong>: existem os &#8220;<em>alfas</em>&#8221; e os &#8220;<em>betas</em>&#8220;, os que despertaram e os que dormem, as mulheres &#8220;verdadeiras&#8221; (hipergâmicas, manipuladoras) e as &#8220;ilusões&#8221; (as que dizem querer amor, mas querem poder). É uma <strong>cosmovisão de criança</strong>: o mundo dividido entre <a href="https://farofeiros.com.br/precisamos-falar-da-politica-em-call-of-duty/" type="link" id="https://farofeiros.com.br/precisamos-falar-da-politica-em-call-of-duty/">mocinhos e bandidos</a>, com regras simples e soluções claras.</p>



<p>Os super-heróis fornecem o vocabulário perfeito para essa visão de mundo. Tony Stark é o &#8220;alfa&#8221; que todos deveriam ser. Steve Rogers é o &#8220;beta&#8221; que não soube aproveitar seu poder. Sam Wilson é o &#8220;invasor&#8221; que ocupa um lugar que não merece. As categorias se encaixam perfeitamente porque foram feitas para isso: são <strong>categorias infantis aplicadas a um mundo que as pessoas se recusam a entender em sua complexidade.</strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O Paradoxo do Fã Adulto</strong></h3>



<p>E aqui chegamos ao paradoxo central: <strong>os filmes de herói são feitos para adultos, mas contam histórias de crianças</strong>. E uma parcela desses adultos — aqueles que nunca deixaram para trás as fantasias da infância — interpreta essas histórias com a seriedade de quem está lendo um manual de vida.</p>



<p>O resultado é o que vemos nos fóruns, nas redes sociais, nas reações a cada novo filme: adultos discutindo se o Doutor Estranho deveria ter usado o tempo para salvar a si mesmo ou aos outros, como se isso fosse um dilema filosófico real; adultos se indignando porque um herói negro &#8220;não tem direito&#8221; ao escudo; adultos celebrando o retorno de um ator a um papel diferente como se fosse a volta do messias.</p>



<p>Moore tem razão: <strong>há algo de profundamente imaturo nisso. Não no consumo dos filmes — todos precisamos de escapismo — mas na seriedade com que são tratados</strong>. Quando a fantasia vira ideologia, quando o entretenimento vira manual de conduta, quando a ficção viva disputa política, algo se perde.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1280" height="720" src="https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-2-FAROFEIROS.COM_.BR_.jpg" alt="" class="wp-image-96488" srcset="https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-2-FAROFEIROS.COM_.BR_.jpg 1280w, https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-2-FAROFEIROS.COM_.BR_-300x169.jpg 300w, https://farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2026/03/MCU-e-o-Espectro-Redpill-na-Cultura-Pop-Contemporanea-2-FAROFEIROS.COM_.BR_-711x400.jpg 711w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Parte V: O Que Fazer Com Nossas Fantasias</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A Função do Herói</strong></h3>



<p><strong>Talvez a questão não seja abandonar os heróis, mas lembrar o que eles são: fantasias.</strong> Ferramentas para pensar, não receitas para viver. O herói não é um modelo a ser imitado, mas um espelho (distorcido, muitas vezes) a ser contemplado. Tony Stark nos mostra o que acontece quando o poder encontra a responsabilidade — não para que queiramos ser Tony Stark, mas para que pensemos sobre poder e responsabilidade. Steve Rogers nos mostra o que significa escolher o certo — não para que nos tornemos Steve Rogers, mas para que reflitamos sobre nossas próprias escolhas.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A Diferença Entre Identificação e Projeção</strong></h3>



<p><strong>Há uma diferença crucial entre identificar-se com um personagem e projetar-se em um personagem.</strong> A identificação é temporária, lúdica, consciente: &#8220;entendo por que ele fez isso&#8221;. A projeção é permanente, patológica, inconsciente: &#8220;ele sou eu, e o que acontece com ele acontece comigo&#8221;.</p>



<p>O fã que reage com raiva à morte de Tony Stark não está apenas triste porque um personagem morreu. Está projetando em Tony Stark sua própria fantasia de imortalidade, seu próprio medo da finitude, sua própria recusa em aceitar que as histórias (e as vidas) terminam. O fã que rejeita Sam Wilson não está apenas defendendo uma tradição. Está projetando no escudo sua própria necessidade de hierarquias fixas, seu próprio medo de que qualquer um possa ser especial.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A Maturidade Possível</strong></h3>



<p>A maturidade, nesse contexto, não é deixar de ver filmes de herói. <strong>É ver filmes de herói como o que são: ficção.</strong> É amar Tony Stark sem querer ser Tony Stark. É respeitar Steve Rogers sem precisar que ele exista. É aceitar Sam Wilson como Capitão América porque a história é sobre ele agora — e histórias são sobre quem as conta.</p>



<p>A maturidade é também aceitar que os filmes terminam, que os heróis morrem, que os escudos passam adiante. É entender que a fantasia nos serve apenas enquanto nos ajuda a viver a realidade — e que, quando tentamos viver dentro da fantasia, deixamos de viver.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Epílogo: O Feiticeiro e o Escudo</strong></h3>



<p>Alan Moore, aos 70 anos, vive em Northampton e continua escrevendo histórias que desafiam, <a href="https://farofeiros.com.br/alan-moore-declara-apoio-a-lula/" type="link" id="https://farofeiros.com.br/alan-moore-declara-apoio-a-lula/">incomodam </a>e expandem os limites do que os quadrinhos podem ser. Ele não odeia super-heróis — ele escreveu alguns dos melhores. O que ele odeia é o que fizemos com eles: transformamos suas criações (e as de tantos outros) em <strong>ídolos</strong>, em <strong>dogmas</strong>, em <strong>armas</strong> em uma guerra cultural que não deveria ser travada com ficção.</p>



<p>O escudo do Capitão América não é uma bandeira. É um <strong>símbolo</strong> — e símbolos existem para serem interpretados (este texto todo é uma interpretação, afinal), não para serem adorados. A armadura do Homem de Ferro não é uma promessa de poder. É uma <strong>metáfora</strong> — e metáforas existem para serem pensadas, não para serem vestidas.</p>



<p>Quando nos recusamos a crescer, quando tratamos a ficção como verdade e a fantasia como manual, não estamos apenas sendo infantis. Estamos traindo a própria função da arte: nos ajudar a <strong>entender</strong> o mundo, não a <strong>escapar</strong> dele.</p>



<p>O garoto magricela do Brooklyn, o bilionário genial, o paraquedista que aceitou o escudo — todos eles são, no fim das contas, apenas historinhas. Histórias que nos ajudam a pensar sobre quem somos e quem queremos ser. Mas histórias, apenas.</p>



<p>O resto é conosco.</p>
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			</item>
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		<title>O Mito da Verdade Paralela</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dennis Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Dec 2023 19:37:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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<p>Existe o mito da Verdade Paralela que você precisa conhecer. Você sabe o que é a Verdade Paralela? Para começar essa conversa precisaremos voltar no tempo e encontrar algo peculiar em nossa história. Durante o século XIX, membros do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro estudaram inscrições fenícias dentro da Pedra da Gávea no Rio de [&#8230;]</p>
<p><a href="https://farofeiros.com.br/o-mito-da-verdade-paralela/">O Mito da Verdade Paralela</a></p>
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<h2 class="wp-block-heading">Existe o mito da Verdade Paralela que você precisa conhecer.</h2>



<p>Você sabe o que é a Verdade Paralela? Para começar essa conversa precisaremos voltar no tempo e encontrar algo peculiar em nossa história. Durante o século XIX, membros do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro estudaram inscrições fenícias dentro da Pedra da Gávea no Rio de Janeiro. </p>



<p>Sim. Havia (e ainda há…) quem acredite que fenícios, troianos, vikings e mesmo alienígenas construíram cidades no Brasil.</p>



<p>Em meados do século XIX, O diretor do IHGB, Cândido Viana, Marques de Sapucaí (sim, o que dá nome à Avenida e sambódromo do Rio) recebeu a suposta transcrição de inscrições fenícias que encontradas por Joaquim Alves da Costa, no município de Pouso Alto, na Paraíba.</p>



<p>A questão é que nem Joaquim Alves ou a cidade de Pouso Alto existiam. Na verdade, o “texto fenício” eram reproduções de inscrições rupestres na região de Ingá, na Paraíba, conhecidas pelos povos indígenas do local e chamadas de itacoatiaras (“pinturas em pedra”, em tupi-guarani).</p>



<p>Na mesma época, já havia os que falassem que a pedra da Gávea no Rio de Janeiro seria uma grande escultura de uma cabeça humana com uma coroa ou chapéu feita por fenícios.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/10/O-Mito-da-Verdade-Paralela-Radiant-Black-1-BLOG-FAROFEIROS-750x400.jpg" alt="O Mito da Verdade Paralela - Radiant Black - BLOG FAROFEIROS" class="wp-image-89120"/></figure>



<p>E nela haveriam inscrições do mesmo povo. Na verdade, ambos os casos são exemplos de pareidolia, onde nossa mente cria padrões onde eles não existem, para dar significado à coisas e formas e assim elas terem mais importância para nós. Os casos são diversos!</p>



<p>Um <a href="https://www.farofeiros.com.br/manifesto-do-conselho-latino-americano-de-jornalismo/">loroteiro </a>que contribuiu para a lenda da presença dos fenícios no Brasil foi Ludwing Schwennhagen. Schwennhagen nasceu no Império Austro-Húngaro e chegou no Brasil no início do século XX depois de se desentender com seu sócio em um jornal antissemita em Viena.</p>



<p>Ele misturava História, Arqueologia e teorias mirabolantes para dar aulas na região do sertão nordestino nas décadas de 1910 e 1920. Lá, ele conheceu a região das Sete Cidades no Piauí, hoje um parque nacional com muitas pinturas rupestres.</p>



<p>Ele defendia a teoria que na verdade, ali estaria os restos do reino fundado pelo Rodrigo, último rei dos Visigodos, que teria fugido da península Ibérica no século VIII após a conquista desta pelos mouros e fundado um novo reino no atual Piauí, após atravessar o oceano.</p>



<p>O professor Ludovico Chovenagua, como Schwennhagen era conhecido, também defendia que na Paraíba estava escondida embaixo da terra a lendária cidade de Tutoia, capital do reino construído por fenícios unidos aos troianos. Pura lorota.</p>



<p>Na verdade, o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_de_Sete_Cidades">Parque Nacional das Sete Cidades</a> abriga um conjunto de formações geológicas que datam de mais de 360 milhões de anos e inscrições rupestres de mais de 6000 anos. Isto deveria ser impressionante o suficiente, mas loroteiros sempre estragam o que já é maravilhoso.</p>



<p>Óbvio que vocês perceberam que estas lorotas (não existe outro nome para isto) servem para dois objetivos. Primeiro, deslegitima os povos originários, ao buscarem origens mais europeias ou próximas à Europa para as culturas nativas da América.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/10/O-Mito-da-Verdade-Paralela-Radiant-Black-2-BLOG-FAROFEIROS-750x400.jpg" alt="O Mito da Verdade Paralela - Radiant Black - BLOG FAROFEIROS" class="wp-image-89121"/></figure>



<p>Em geral, teorias que colocam europeus, fenícios, vikings, alienígenas como verdadeiros fundadores da civilização na América tem muito racismo nelas. Existem lorotas semelhantes para explicar a engenharia, astronomia e medicina de povos originários nos Andes e Mesoamérica.</p>



<p>Pois, para os que defendem este absurdo, os indígenas não teriam condições por si só de realizarem tais monumentos sem auxílio. Nunca vi falarem que alienígenas ajudaram os romanos, gregos ou europeus medievais na construção de seus palácios, castelos, templos e catedrais.</p>



<p>O outro objetivo era dar uma origem que uma elite branca e racista achasse mais digna para si. Assim, a “nobreza” do império que é a origem de muitas famílias ricas até hoje no Brasil não seria descendentes de indígenas, mas de fenícios, troianos e germânicos.</p>



<p>Desinformação que calhava com os interesses desta elite que não suportava não ser branca, não ser tratada como igual pela elite e nobreza europeias. Foi um esforço patético, mas que ainda rende frutos podres até hoje, como ficou evidente na lorota da cidade de <a href="https://www.farofeiros.com.br/ratanaba-a-cidade-perdida-da-amazonia/">Ratanabá</a>.</p>



<p>Por isto, pense bem em que tipo de imaginário estamos reforçando ao dar voz aos loroteiros que de tempos em tempos, acham que a riqueza e as contradições reais de nossa História não são suficientes para seus egos preenchidos de racismo e vaidade delirantes.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><em>Imagens que ilustram este post são da história em quadrinhos <a href="https://imagecomics.com/comics/series/radiant-black">Radiant Black da Image Comics</a>. </em></p>



<p><em>O texto O Mito da Verdade Paralela</em> <em>foi originalmente publicado no Twitter como uma thread no perfil do autor. Confira lá também!</em></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="500" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Durante o século XIX, membros do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro estudaram inscrições fenícias dentro da Pedra da Gávea no Rio de Janeiro.<br><br>Sim. Havia (e ainda há…) quem acredite que fenícios, troianos, vikings e mesmo alienígenas construíram cidades no Brasil. <a href="https://t.co/E21RySLDdi">pic.twitter.com/E21RySLDdi</a></p>&mdash; Dennis Almeida ???? (@DennisAlmeida82) <a href="https://twitter.com/DennisAlmeida82/status/1535621998931591168?ref_src=twsrc%5Etfw">June 11, 2022</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>
<p><a href="https://farofeiros.com.br/o-mito-da-verdade-paralela/">O Mito da Verdade Paralela</a></p>
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		<title>Entreguem o MCU para Zack Snyder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dennis Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Nov 2023 12:22:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Marvel Studios]]></category>
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<p>Por favor, entreguem o MCU para Zack Snyder. Obrigado. Hey, Marvel Studios, entreguem o MCU para Zack Snyder. Sim, esta é a triste realidade. A Marvel perdeu aquele punch que falam tanto nos realities culinários. Falta tômpero, falta energia, falta identidade, falta vida. O Rodrigo Castro fez um texto que não tenho uma linha a [&#8230;]</p>
<p><a href="https://farofeiros.com.br/entreguem-o-mcu-para-zack-snyder/">Entreguem o MCU para Zack Snyder</a></p>
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<h2 class="wp-block-heading">Por favor, entreguem o MCU para Zack Snyder. Obrigado.</h2>



<p>Hey, Marvel Studios, entreguem o MCU para <a href="https://www.imdb.com/name/nm0811583/">Zack Snyder</a>. Sim, esta é a triste realidade. A Marvel perdeu aquele <em>punch </em>que falam tanto nos <em>realities </em>culinários. Falta <em>tômpero</em>, falta energia, falta identidade, falta vida. </p>



<p>O Rodrigo Castro fez um texto que não tenho uma linha a acrescentar sobre a <a href="https://www.farofeiros.com.br/a-segunda-temporada-de-loki/">segunda temporada de Loki</a>. Vale a pena você ir lá e conferir. Se quiser, vá lá, leia e volte aqui. Eu espero.</p>



<p>Pronto, então vamos lá. É inegável que após <a href="https://www.farofeiros.com.br/o-final-de-vingadores-ultimato/">Vingadores &#8211; Ultimato</a> aconteceram duas coisas. Primeiro a Marvel abriu um leque de diversidade nunca visto no cinema até então. Isto já vinha um pouco antes, com <a href="https://www.farofeiros.com.br/pantera-negra-2-wakanda-para-sempre/">Pantera Negra</a> e <a href="https://www.farofeiros.com.br/capita-marvel/">Capitã Marvel</a>. O que veio depois foi a intensificação disto. Vozes e rostos que não víamos antes, como o <a href="https://www.farofeiros.com.br/falcao-e-o-novo-capitao-america/">Capitão América Sam Wilson</a> e a <a href="https://www.farofeiros.com.br/critica-da-primeira-temporada-de-ms-marvel/">Ms Marvel Kamala Khan</a> estão aí. E isto é ótimo. Porém, sempre tem um porém, isto não basta.</p>



<p>Talvez porque justamente por investirem em diversidade, os produtores não queiram se arriscar em histórias mais ousadas. Talvez seja só preguiça mesmo. O fato é que toda vez que saia do cinema (em 2023 eu não consegui ir ao cinema por motivos de <em>Joelhinho</em>) ou desligava o streaming de um filme ou série, ficava com aquela sensação de “filme ok, mas<br>não empolga”.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Feiticeira-Scarlate-com-Darkside-e-Superman-sombrios-Blog-Farofeiros-750x400.jpg" alt="Feiticeira Escarlate com Darkside e Superman sombrios - Blog Farofeiros" class="wp-image-88560"/></figure>



<p>Soluções banais (“Nino sin amor &#8211; Namor”), apelo à nostalgia barata (“Homem Aranha &#8211; Sem volta para casa”) e até mesmo um fracasso (“quem seria capaz de defender <a href="https://www.farofeiros.com.br/fuja-de-quantumania/">Homem-Formiga: Quantumania</a>?) marcam os últimos tempos da Marvel.</p>



<p>Tem muita coisa nestas séries e filmes. Muita informação. Mas não tem algo que você se apegue de verdade. Não tem alma.</p>



<p>Claro que é um exagero retórico da minha parte a possibilidade de entregar o MCU para Zack Snyder. Não concordo também com muita coisa que ele fez com o Universo DC e não sentirei saudades de nenhum personagem que ele tocou naqueles anos todos.</p>



<p>A questão é que mesmo dentro daquele jeito temerário e repetitivo, sem entender a essência dos personagens e até com alguns dos mesmos defeitos que vemos na atual fase na Marvel (“Save Marta”). Snyder tem uma identidade e a imprime nos seus filmes. Eu mal consigo ver algo de Sam Raimi no último Dr. Estranho.</p>



<p>Como diria o <a href="https://www.central3.com.br/category/podcasts/medo-e-delirio/">Medo e Delírio em Brasília</a>, Kevin Feige deveria ouvir um pouco de Thiaguinho e ter um bocado de <a href="https://www.farofeiros.com.br/morto-com-farofa/">Ousadia e Alegria</a> nas próximas produções. Como diria a Mestra Anciã para Stephen Strange no primeiro <a href="https://www.farofeiros.com.br/doutor-estranho-critica-e-easter-eggs/">Doutor Estranho</a>, é justamente o medo de errar que está afastando o MCU da sua grandeza.</p>
<p><a href="https://farofeiros.com.br/entreguem-o-mcu-para-zack-snyder/">Entreguem o MCU para Zack Snyder</a></p>
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		<title>Este é o meu jeito Ninja!!!!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dennis Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Aug 2023 12:02:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Naruto]]></category>
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<p>Este é o meu jeito Ninja de Konoha! Demorou, mas chegou o dia. Este blog precisava de um texto sobre Naruto! Sim, vou aproveitar que o Rodrigo precisa de um texto e contar uma historinha bem particular sobre a minha leitura do que considero um dos mangás mais importantes para minha formação pessoal. A história [&#8230;]</p>
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<h2 class="wp-block-heading">Este é o meu jeito Ninja de Konoha!</h2>



<p>Demorou, mas chegou o dia. Este blog precisava de um texto sobre Naruto! Sim, vou aproveitar que o <a href="https://www.farofeiros.com.br/author/user_rockerz/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rodrigo </a>precisa de um texto e contar uma historinha bem particular sobre a minha leitura do que considero um dos mangás mais importantes para minha formação pessoal. A história de Naruto Uzumaki, ninja de Konoha!</p>



<p>Quando os dinossauros ainda andavam sobre a Terra, era hábito que nerds (a palavra otaku ainda não era tão popular entre os fãs de anime e mangá) irem na Liberdade comprar e trocar cópias de anime legendados por e para fãs em VHS e alguns volumes de mangás nacionais e de vez em nunca alguns volumes originais com traduções capengas dos textos em folha de sulfite. Bons tempos.</p>



<p>Pois foi nessa que lá por 2001, 2002 que eu entrei em contato com Naruto. À primeira vista, achei que ia ser mais uma daquelas histórias sobre o protagonista que queria ser o mais forte em lutas que vão escalando até o mais completo absurdo.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" data-id="86946" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Este-e-o-meu-jeito-Ninja-Naruto-Blog-Farofeiros-5-750x400.jpg" alt="Este é o meu jeito Ninja - Naruto - Blog Farofeiros" class="wp-image-86946"/></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" data-id="86943" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Este-e-o-meu-jeito-Ninja-Naruto-Blog-Farofeiros-2-750x400.jpg" alt="Este é o meu jeito Ninja - Naruto - Blog Farofeiros" class="wp-image-86943"/></figure>
</figure>



<p>Naruto é isto. Tem o poder do protagonismo. Tem as lutas escalando em nível absurdo. Tem a tecla do poder da amizade sendo batida até o limite do suportável. Tem tudo isto. Mas não é só isto.</p>



<p>O que me pegou no personagem foram duas coisas. Primeiro a solidão que o formou. Do momento em que nasceu até às formar na Academia Ninja, Naruto era solitário. Não tinha amigos. Vivia sozinho (literalmente). Não tinha ninguém. E descontava isto aprontando de tudo. Se recusando a seguir regras e se sujeitar à autoridade. Só queria ser reconhecido por uma força que ele mal sabia que tinha. Não sabia por que todos o rejeitavam.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Este-e-o-meu-jeito-Ninja-Naruto-Blog-Farofeiros-3-750x400.jpg" alt="" class="wp-image-86944"/></figure>



<p>Me identifiquei demais com esta solidão. Claro que ela é uma hipérbole. Mas eu também era um garoto que mesmo não sendo órfão, entendia o que não era ter amigos. Também entendia sobre a necessidade de reagir violentamente à esta violência. De cara eu me identifiquei e simpatizei com Naruto.</p>



<p>Mas outro aspecto me pegou ainda mais forte. O fato dele ter a Raposa de Nove Caudas selada dentro de si. Uma fera feira de puro ódio e que estava ali, sempre espreitando, esperando que o menino cedesse de vez à sede de sangue e se entregasse ao instinto de destruição puro e simples.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Este-e-o-meu-jeito-Ninja-Naruto-Blog-Farofeiros-4-750x400.jpg" alt="Este é o meu jeito Ninja - Naruto - Blog Farofeiros" class="wp-image-86945"/></figure>



<p>A cada luta, era visível que Naruto sentia-se mais tentado a deixar este ódio tomar conta da situação e derrotar seus inimigos, custasse o que fosse, ferindo quem fosse. Sei bem também o que é deixar a raiva no controle da situação e o quanto isto é em certo sentido cômodo.</p>



<p>Poder falar que não fui eu que fiz aquilo, mas o monstro malvado que eu tenho selado dentro de mim seria muito, mas muito mais conveniente. A principal luta de Naruto nunca foi contra os antagonistas que vão aparecendo ao longo de sua história, mas justamente uma luta para se entender e se aceitar e deste jeito poder usar até mesmo sua raiva de maneira produtiva.</p>



<p>Ler Naruto me ajudou muito a dominar <a href="https://www.farofeiros.com.br/naruto-shippuden-tobi-cosplay-mask/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">minha raiva</a>, minha Nove Caudas. Me ajudou a entender minha raiva e torná-la algo produtivo. Direcionada mesmo para mudar o que eu acho injusto.</p>



<p>Naruto não é uma obra perfeita, mas foi perfeita para mim em uma fase da vida que eu estava perdido, inclusive de mim mesmo. Leiam e assistam.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Este-e-o-meu-jeito-Ninja-Naruto-Blog-Farofeiros-1-750x400.jpg" alt="Este é o meu jeito Ninja - Naruto - Blog Farofeiros" class="wp-image-86942"/></figure>



<p>Mas pulem os fillers. A grande maioria é ruim mesmo.</p>
<p><a href="https://farofeiros.com.br/este-e-o-meu-jeito-ninja/">Este é o meu jeito Ninja!!!!</a></p>
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		<title>&#8220;Oppenheimer&#8221; ou &#8220;Mais um filme do History Channel Gourmet&#8221;</title>
		<link>https://farofeiros.com.br/oppenheimer-ou-mais-um-filme-do-history-chanel-gourmet/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Dennis Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jul 2023 23:58:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Christopher Nolan]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><a href="https://farofeiros.com.br">FAROFEIROS</a> <a href="https://farofeiros.com.br">FAROFEIROS - Podcasts e blog de cultura pop, games e política</a></p>
<p>Oppenheimer é genérico e perigoso, como o History Channel. Eu iria começar falando que “Oppenheimer” é, em última análise, um filme baseado em um artigo de Wikipedia com 3 horas de duração. Mas daí eu seria injusto, pois um artigo simples e cheio de fatos sobre J. Robert Oppenheimer, o físico cuja liderança do Projeto [&#8230;]</p>
<p><a href="https://farofeiros.com.br/oppenheimer-ou-mais-um-filme-do-history-chanel-gourmet/">&#8220;Oppenheimer&#8221; ou &#8220;Mais um filme do History Channel Gourmet&#8221;</a></p>
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<h2 class="wp-block-heading">Oppenheimer é genérico e perigoso, como o History Channel.</h2>



<p>Eu iria começar falando que “Oppenheimer” é, em última análise, um filme baseado em um artigo de Wikipedia com 3 horas de duração. Mas daí eu seria injusto, pois um artigo simples e cheio de fatos sobre J. Robert Oppenheimer, o físico cuja liderança do Projeto Manhattan, durante a Segunda Guerra Mundial, produziu a bomba atômica , oferece mais complexidade e detalhes mais atraentes do que o roteiro de Nolan.</p>



<p>Julius Robert Oppenheimer (1904 –  1967) teve inúmeras contribuições para a Física, que vão da mecânica quântica, passando por um melhor entendimento do que são os buracos negros e raios cósmicos. Foi um importante divulgador científico e defensor da não proliferação das armas nucleares.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="OPPENHEIMER - Novo Trailer (Universal Studios) – HD" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/F3OxA9Cz17A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Claro que o filme que está ainda em cartaz não nos deixa esquecer de sua mais conhecida realização. Oppenheimer chefiou o infame Projeto Manhattan, que criou as primeiras bombas atômicas, duas das quais foram usadas contra as populações civis de Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945 no desfecho da guerra entre EUA com o Império do Japão (1941-1945). Sua participação na criação das bombas o assombrou pelo resto da vida.</p>



<p>Quando foi noticiado que <a href="https://www.farofeiros.com.br/farofeiros-cast-014-saudades-do-nolan/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Christopher Nolan </a>iria dirigir um filme sobre a vida de Oppenheimer com destaque na sua participação do Projeto Manhattan e sua militância contra a fabricação de novas bombas, achei que poderia haver potencial. Os cartazes davam um tom assombroso para a divulgação (não costumo ver trailers desde que um deles entregou todo o desfecho de <a href="https://www.farofeiros.com.br/batman-v-superman/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Batman V Superman</a>).</p>



<p>Daí entre uma parte dos preparativos para a chegada do <em>Joelhinho </em>e outra, me reservo ao direito de ver o filme. E, desculpem os fãs de Nolan e do Cillian Murphy, mas este filme é  bem abaixo do mediano.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-Christopher-Nolan-Blog-Farofeiros-1-750x400.jpg" alt="Oppenheimer - Christopher Nolan - Blog Farofeiros" class="wp-image-86813"/></figure>



<p>Os efeitos são excelentes. A recriação do teste Trinity ficou impecável. Figurinos perfeitos. Atuações ótimas (Fazia tempo que não via o Matt Damon trabalhar tão bem e finalmente o Robert Downey Jr. parou de fazer uma versão diferente de <a href="https://www.farofeiros.com.br/tony-stark-e-um-babaca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tony Stark</a>). O problema não está aí.</p>



<p>Pegaram uma vida que poderia tornar-se um grande drama de guerra envolvendo culpa, busca por redenção, vaidade e um senso de urgência que nublou os pensamentos de um homem da ciência em mero thriler político.</p>



<p>Em dado momento do filme fala-se sobre o perigo que seria se os nazistas tivessem a bomba. Não existe sombra de dúvida que isto seria um desastre. Mas os ataques à Hiroshima e Nagasaki estão os atos mais infames da História e praticamente desaparecem no roteiro preguiçoso de Nolan.</p>



<p>Boa parte do filme concentra-se no envolvimento de Oppenheimer com o Partido Comunista Americano e sobre como isto foi usado por seus inimigos políticos para defenestrá-lo da vida pública. Como eu disse, um thriler <a href="https://www.farofeiros.com.br/ta-proibido-falar-de-politica-farofeiros-cast-072/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">político </a>com ótimas atuações e péssimo roteiro.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-Christopher-Nolan-Blog-Farofeiros-5-750x400.jpg" alt="Oppenheimer - Christopher Nolan - Blog Farofeiros" class="wp-image-86817"/></figure>



<p>Existe uma infinidade de material que aborda a guerra, suas incoerências, suas injustiças, suas violências. Quer Segunda Guerra Mundial? Assista aos dois filmes de Clint Eastwood de 2006, sobre a Guerra do Pacífico com destaque para a batalha de Iwo Jima, &#8220;<a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-60580/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">A Conquista da Honra</a>&#8221; que foca o lado americano e &#8220;<a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-112342/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Cartas de Iwo Jima</a>&#8221; que mostra o lado japonês. Ambos sem concessões. Ambos mostrando sem glorificar a guerra.</p>



<p>Quer algo sobre tecnologia e perseguição de um governo contra quem justamente ajudou a derrotar os nazistas? Assista o recente &#8220;<a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-198371/" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">O jogo da imitação</a>&#8221; de 2014 que conta a história de Alan Turing, brilhantemente interpretado por <a href="https://www.farofeiros.com.br/doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura-com-spoilers/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Benedict Cumberbatch</a>.</p>



<p>Quer sobre a bomba? Procure ler ou assistir &#8220;<a href="https://amzn.to/3KkR5Gu" target="_blank" rel="noreferrer noopener sponsored nofollow">Gen Pés Descalços</a>&#8221; (Hadashi no Gen). O mangá é de 1973 e o desenho é de 1983. A cena da explosão atômica de Hiroshima e o que veio logo depois são 10 minutos que fazem as três horas de Oppenheimer chorar de vergonha.</p>



<p>Não é só questão de não mostrar o que aconteceu de fato no Japão e que impressionou tanto o verdadeiro Oppenheimer. Todos os exemplos de material que dei têm em comum serem completamente críticos à guerra, sem qualquer argumentação.</p>



<figure class="wp-block-gallery aligncenter has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" data-id="86816" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-Christopher-Nolan-Blog-Farofeiros-4-750x400.jpg" alt="Oppenheimer - Christopher Nolan - Blog Farofeiros" class="wp-image-86816"/></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" data-id="86814" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-Christopher-Nolan-Blog-Farofeiros-2-750x400.jpg" alt="Oppenheimer - Christopher Nolan - Blog Farofeiros" class="wp-image-86814"/></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" data-id="86815" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-Christopher-Nolan-Blog-Farofeiros-3-750x400.jpg" alt="Oppenheimer - Christopher Nolan - Blog Farofeiros" class="wp-image-86815"/></figure>
</figure>



<p>O que Nolan fez foi novamente contar a história do herói incompreendido. Aquele sujeito que tomou uma decisão difícil por uma boa razão e todos o perseguem por isto. Um homem (todos os filmes de Nolan são centrados em homens) que salvou a humanidade do grande Mal e só ganhou a ingratidão.</p>



<p>Por isto que os <em><a href="https://www.farofeiros.com.br/nerdola-nao-sabe-ler/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">red pills </a></em>da vida correram para este filme para fugirem de <a href="https://www.farofeiros.com.br/viuvo-do-twitter-e-a-barbie-farofeiros-cast-135/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Barbie</a>. Nolan tirou toda a complexidade da figura histórica, manteve uma dose de drama e entregou uma trama confortável, onde no fim o bem venceu e ele foi reabilitado por Lyndon Johnson, só o sujeito que colocou os dois pés dos EUA de vez no Vietnã e produziu aquela barbaridade toda.</p>



<p>A verdade é que Oppenheimer não passa daquele tipo de filme que pessoas que querem se deslumbrar com a destruição mas não abrem mão de um verniz de inteligência. Leia o artigo do Wikipedia sobre Oppenheimer e o Projeto Manhattan, aposto que você ganha mais.</p>
<p><a href="https://farofeiros.com.br/oppenheimer-ou-mais-um-filme-do-history-chanel-gourmet/">&#8220;Oppenheimer&#8221; ou &#8220;Mais um filme do History Channel Gourmet&#8221;</a></p>
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		<title>O cinema de super-heróis precisa de um Watchmen</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dennis Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 May 2023 13:18:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[DC Studios]]></category>
		<category><![CDATA[HBO]]></category>
		<category><![CDATA[Marvel Studios]]></category>
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<p>Desde que aprendi a ler, leio quadrinhos. Primeiro me limitavam aos quadrinhos da Disney. os do tio Patinhas eram os meus favoritos pelo clima de aventura e caça ao tesouro ao redor do mundo. Gostava muito das histórias do Chico Bento, pela proximidade com meu cotidiano e identificação com o personagem. Lia o que caia [&#8230;]</p>
<p><a href="https://farofeiros.com.br/o-cinema-de-super-herois-precisa-de-um-watchmen/">O cinema de super-heróis precisa de um Watchmen</a></p>
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<p>Desde que aprendi a ler, leio quadrinhos. Primeiro me limitavam aos quadrinhos da <a href="https://www.farofeiros.com.br/loki-do-disney-plus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Disney</a>. os do tio Patinhas eram os meus favoritos pelo clima de aventura e caça ao tesouro ao redor do mundo. Gostava muito das histórias do Chico Bento, pela proximidade com meu cotidiano e identificação com o personagem. Lia o que caia na minha mão e o pouco que podia comprar.</p>



<p>Com o tempo, estas leituras foram sendo substituídas. Sai o Bairro do Limoeiro e surge a Cozinha do Inferno do <a href="https://www.farofeiros.com.br/demolidor-e-elektra-se-casaram/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Demolidor</a>. Patópolis cede seu lagar à Gotham. Chegam os super-heróis da Marvel e DC, que até hoje acompanho. A maioria das leituras iniciais eram de gibis já antigos, todos pré Crise das Infinitas Terras.</p>



<p>Até que em 1995 uma cópia da primeira edição brasileira de Watchmen caiu na minha mão. Eu sinceramente não tenho o que dizer de Watchmen que já não tenham dito. Da sua importância para a História das HQs, do impacto na indústria como um todo. Claro que houveram o <a href="https://www.farofeiros.com.br/dc-confirma-o-desenvolvimento-de-batman-o-retorno-do-cavaleiro-das-trevas-3/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Cavaleiro das Trevas</a>, <a href="https://www.farofeiros.com.br/a-volta-de-sandman/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sandman</a>, V de Vingança, <a href="https://www.farofeiros.com.br/miracleman-inedito-sera-publicado-pela-marvel/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Miracleman </a>e outros. Mas o meu primeiro impacto foi com Watchmen.</p>



<p>Daquela época até hoje li muito,me diverti muito. E no começo, uma reclamação recorrente era que depois dos filmes do Superman com o Reeves, nunca mais teve um bom filme de super-heróis. Até do Batman do Tim Burton e o filme do Sombra de 1994 já ouvi muita reclamação. Tudo isso começou a mudar com Blade, estrelado pelo Wesley Snipes em 1998.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/05/O-cinema-de-super-herois-precisa-de-um-Watchmen-Blog-Farofeiros-2-750x400.jpg" alt="O cinema de super-heróis precisa de um Watchmen - Blog Farofeiros" class="wp-image-85271"/></figure>



<p>Um filme que misturava ação e terror na medida certa, protagonista carismático, clima sombrio. Vale ainda um texto sobre a influência de Blade em toda a indústria cinematográfica, mas não hoje.</p>



<p>Depois de Blade vieram X-Men de Brian Singer (2000), Homem-Aranha de Sam Raimi (2002) e Batman Begins de Christopher Nolan (2005). Todos se tornaram trilogias com segundos filmes memoráveis e terceiros filmes questionáveis.</p>



<p>E então vem Jon Fraveau e entrega o <a href="https://www.farofeiros.com.br/homem-de-ferro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Homem de Ferro </a>em 2008. Um filme de super-heróis sem vergonha de sê-lo. História bem simples, protagonista transbordando carisma, bom humor e toda aquela energia que o nerd gostaria de ver e não encontrou em outros filmes. Todos queriam ser Tony Stark.</p>



<p>E o arremate foi Samuel L. Jackson na primeira cena pós-créditos, convidando Stark a participar dos Vingadores e inaugurando o MCU. Vale lembrar que <a href="https://www.farofeiros.com.br/e-e-decretado-o-fim-da-linha-ultimate-marvel-so-que-nao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bryan Hitch </a>usou o rosto de Jackson como modelo para o seu Nick Fury nos dois volumes de Ultimates (2002-2004). Não conheço um fã de quadrinhos que não adiantou a comemoração do Ano-Novo ao ver aquela cena.</p>



<p>Vieram então dezenas de filmes. Uns ótimos, muitos bons, outros nem tanto (Sim Thor 2, estou falando de você…) formando uma grande história em diversas fases que culminou no desalento de Thanos diante do estalar de dedos de Stark no clímax de <a href="https://www.farofeiros.com.br/vingadores-ultimato/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Vingadores Ultimato </a>(2019).</p>



<p>E então vieram filmes e séries que obviamente você sabe que não empolgaram tanto. Foram muito comentados, e alguns foram sucesso de bilheteria, mas sempre com muitas ressalvas. Falta carisma, falta ousadia, falta história! Algumas críticas são bem injustas e dão vazão ao pior lado do nerd, como foi o caso em <a href="https://www.farofeiros.com.br/viuva-negra/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Viúva Negra </a>e <a href="https://www.farofeiros.com.br/shang-chi-e-a-lenda-dos-dez-aneis/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Shang-Chi</a>, ambos de 2021.</p>



<p>Mas revendo alguns filmes, vocês vão perceber que a fórmula sempre esteve ali. Como unidades, vários filmes já tinham este clima mais infantil. Foram raras as vezes em que você sentiu alguma tensão durante a história, algum risco de algo dar errado para os mocinhos.</p>



<p>O que eram filmes confortáveis, justamente pela ausência de surpresas em geral, tornaram-se filmes desinteressantes. E essa preguiça também aparece nos próprios roteiros, vide os plots de Homem Aranha: Sem Volta para casa (2021), <a href="https://www.farofeiros.com.br/doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura-e-tudo-isso-e-mais-um-pouco/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Doutor Estranho no Multiverso da Loucura </a>e <a href="https://www.farofeiros.com.br/wakanda-para-sempre-2/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Pantera Negra: Wakanda para Sempre </a>(sim, o filme usa bem nossos sentimentos pelo Chadwick Boseman, mas tem um roteiro bem capenga…) ambos de 2022 e o mais recente <a href="https://www.farofeiros.com.br/homem-formiga-e-vespa-quantumania/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Homem Formiga</a>, lançado este ano.</p>



<p>Guardiões da Galáxia 3 estreia esta semana com um diretor já com os dois pés dentro da concorrência e anúncio de vários atores não retornarão aos papéis após a conclusão da trilogia. E incomoda a sensação já constante de não saber se a &#8220;Fórmula Marvel&#8221; vai matar um filme que poderia ser um grande final para essa história.</p>



<p>E chegamos no ponto que precisamos nos incomodar e dar razão ao Alan Moore quando ele disse que filmes de quadrinhos são ridículos por serem filmes de personagens criados décadas atrás para entreter crianças sendo usados para atrair homens de meia idade e complexos com a própria masculinidade aos cinemas.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/05/O-cinema-de-super-herois-precisa-de-um-Watchmen-Selfie-Manhattan-e-Adam-Warlock-Blog-Farofeiros-3-750x400.jpg" alt="O cinema de super-heróis precisa de um Watchmen - Selfie Manhattan e Adam Warlock - Blog Farofeiros" class="wp-image-85272"/></figure>



<p>E como podemos mudar isso? O cinema de heróis precisa de um Watchmen. Não um filme de herói com vergonha de si próprio e tentando ser adulto, como Batman Cavaleiro das Trevas de 2008. Mas algo que realmente desconstrua o gênero e ao mesmo tempo o revitalize.</p>



<p>Vale lembrar que tanto o filme que adapta Watchmen dirigido por <a href="https://www.farofeiros.com.br/batman-violentado-na-prisao-por-zack-snyder/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Zack Snyder </a>em 2009 quanto a série lançada pela HBO em 2019, que se propõe a ser uma continuação da graphic novel original conseguiram exercer este papel. <a href="https://www.farofeiros.com.br/critica-de-the-boys-temporada-3/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">The Boys </a>nem chegou perto disto.</p>



<p>Precisamos de um filme ou série que critique, desconstrua e revitalize o gênero, tornando-o algo novo. Algo que ria desta audiência conservadora, tão apegada à própria nostalgia de uma infância que na verdade é cheia de fraturas que é capaz de sair da sessão do filme de um sujeito que cavalga formigas e vai pra internet reclamar da nova versão de She-Ra por ela não ser sexy ou feminina o bastante para ele, que sempre ia fazer outra coisa enquanto o episódio da irmã do He-Man passava no programa da Xuxa.</p>



<p>Não precisamos de mera novidade. Não precisamos de grandiosidade. Nem de nostalgia (aquele <a href="https://www.farofeiros.com.br/eu-sou-o-batman/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Michael Keaton </a>no filme do Flash é isca pra pegar nerd na casa dos 40 anos pra cima, você sabe que estou certo).</p>



<p>Se querem filmes adultos de super-heróis, e nem todos esses filmes precisam ser adultos, não precisam de sangue, sexo ou uma paleta de cores sépia.</p>



<p>Ele precisa de uma abordagem adulta. E a audiência tão adulta quanto.</p>
<p><a href="https://farofeiros.com.br/o-cinema-de-super-herois-precisa-de-um-watchmen/">O cinema de super-heróis precisa de um Watchmen</a></p>
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		<title>Cordialidade que machuca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Dennis Almeida]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Apr 2023 03:03:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Pensamento]]></category>
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<p>No livro &#8220;Raízes do Brasil&#8221; (1936), Sérgio Buarque de Holanda apresenta o conceito de &#8220;Homem Cordial&#8221;, que corresponde a uma característica marcante da sociedade brasileira: a tendência a estabelecer relações pessoais intensas, baseadas em emoções e vínculos afetivos, em detrimento das normas e regras sociais. Na sociedade contemporânea, essa tendência pode se manifestar de forma [&#8230;]</p>
<p><a href="https://farofeiros.com.br/cordialidade-que-machuca/">Cordialidade que machuca</a></p>
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<p>No livro &#8220;Raízes do Brasil&#8221; (1936), Sérgio Buarque de Holanda apresenta o conceito de &#8220;Homem Cordial&#8221;, que corresponde a uma característica marcante da sociedade brasileira: a tendência a estabelecer relações pessoais intensas, baseadas em emoções e vínculos afetivos, em detrimento das normas e regras sociais.</p>



<p>Na sociedade contemporânea, essa tendência pode se manifestar de forma preocupante, como se observa nos diversos episódios de ameaças e ataques a escolas que ocorreram no Brasil recentemente.</p>



<p>Em vez de buscar soluções pacíficas e dialogadas para os conflitos, indivíduos desequilibrados agiram de forma violenta, levando medo e terror a diversos locais de ensino.</p>



<p>Uma das explicações para esses ataques está justamente na ideia de Homem Cordial. Ao ver-se confrontado com normas e valores que contrariam seus interesses, o indivíduo cordial pode reagir de forma emocional e agressiva, sem levar em conta o bem coletivo ou as consequências de seus atos.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="400" src="https://www.farofeiros.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Cordialidade-que-machuca-Tarsila-do-Amaral-O-Abaporu-2-Blog-Farofeiros-750x400.jpg" alt="Cordialidade que machuca - Tarsila do Amaral - O Abaporu - Blog Farofeiros" class="wp-image-85085"/></figure>



<p>Além disso, a cultura da violência que permeia a sociedade brasileira também é influenciada pelo Homem Cordial. A ideia de que a amizade e as relações pessoais estão acima das normas e das leis pode levar à naturalização da violência como uma forma de resolver conflitos e impor sua vontade sobre os outros.</p>



<p>Essa cultura tem sido perpetuada ao longo dos anos, especialmente em razão da impunidade e da falta de uma educação cívica efetiva. Ao não identificar a gravidade dos crimes cometidos, as autoridades e a sociedade como um todo acabam por incentivar a continuidade da violência como uma forma de resolução de conflitos.</p>



<p>As <a href="https://www.farofeiros.com.br/o-que-nao-estao-entendendo-sobre-o-novo-ensino-medio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">escolas </a>como alvo dos ataques são simbólicas nessa lógica, pois representam uma estrutura que busca promover valores e normas sociais, muitas vezes em detrimento do individualismo. Ao atacar essas instituições, indivíduos emocionalmente perturbados podem estar tentando afirmar sua autoridade e impor sua vontade sobre os outros.</p>



<p>Para combater essa cultura do Homem Cordial e da violência que se perpetua em nossa sociedade, é preciso investir na <a href="https://twitter.com/DennisAlmeida82/status/1647768798777286656" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">educação </a>cívica e no fortalecimento da democracia. É preciso entender que o bem coletivo e o respeito às normas sociais são fundamentais para a construção de uma <a href="https://www.farofeiros.com.br/ursal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sociedade mais justa e igualitária</a>.</p>



<p>Só assim poderemos transformar a cultura da violência e evitar que os ataques às escolas sejam vistos como algo natural e aceitável. É preciso dizer não à violência e fortalecer os valores que sustentam a convivência pacífica e respeitosa entre os indivíduos e entre as instituições.</p>
<p><a href="https://farofeiros.com.br/cordialidade-que-machuca/">Cordialidade que machuca</a></p>
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